O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que pretende deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até abril de 2026, caso tenha o nome confirmado para disputar uma das duas vagas da Bahia no Senado nas eleições do próximo ano. A sinalização foi feita durante vistoria técnica nas obras de macrodrenagem e canalização do Rio Mangabeira, em Salvador, nesta segunda-feira (15), quando o ministro voltou a tratar publicamente de seu futuro político.
Segundo ele, a decisão final ainda depende de uma conversa com o presidente Lula.
Em declaração ao portal BNews, Rui Costa explicou que segue o calendário imposto pela legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de ministros seis meses antes do pleito. “O último dia em que qualquer ministro ou secretário de Estado vai disputar a eleição tem que sair um dia antes, de seis meses da eleição (...). No início do dia 3 de abril, todos terão que sair, quem for candidato. Essa é a minha programação”, afirmou, ao mencionar que sua eventual candidatura se insere na estratégia de “reforçar o Congresso Nacional, especialmente o Senado” pela base governista.
A ideia de disputar o Senado em 2026 não é nova. Em outubro de 2025, Rui Costa já havia confirmado publicamente que pretende colocar seu nome à disposição para uma das vagas da Bahia, em entrevistas à rádio Salvador FM e a outros veículos. Na ocasião, o ministro ressaltou que já havia tratado do assunto com Lula e que a saída do governo, caso a candidatura se confirme, deve ocorrer entre o fim de março e o início de abril de 2026, em respeito ao prazo de desincompatibilização previsto pela Justiça Eleitoral.
A movimentação de Rui Costa ocorre em um cenário em que a Bahia terá duas cadeiras ao Senado em disputa em 2026. Hoje, os mandatos pertencem a Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD), que já manifestaram interesse em renovar seus mandatos. Reportagens nacionais indicam que a possibilidade de Rui disputar o Senado é acompanhada de perto por aliados na Bahia e em Brasília, por envolver rearranjos dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e dos partidos que compõem a coligação no estado.
Nos bastidores, a disputa em torno da segunda vaga ao Senado na chapa governista envolve diretamente o PSD de Angelo Coronel e o PT. Em entrevistas recentes, Rui Costa tem enfatizado a necessidade de manter a unidade entre os aliados e afirmou que vem dialogando com Coronel e com o senador Otto Alencar (PSD-BA). Ele relatou encontros e jantares com lideranças do PSD e negou qualquer rompimento ou atrito, destacando que as conversas seguem em clima de “tudo em paz” e que as definições devem ser construídas em conjunto até o prazo legal.
Do lado do Palácio do Planalto, o próprio presidente Lula já se manifestou sobre a possibilidade de liberar auxiliares para a disputa eleitoral de 2026. Em entrevista à rádio Piatã FM, o presidente afirmou que “quem quiser ser candidato será liberado para ser candidato”, ao ser questionado especificamente sobre Rui Costa. Lula classificou o ministro como uma “liderança extraordinária na Bahia”, mas reconheceu que enfrenta o dilema de ter vários ministros importantes cotados para deixar o governo com vistas às próximas eleições.
A intenção do PT, segundo relatos publicados na imprensa, é formar uma chapa forte ao Senado na Bahia, com os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa como principais nomes, o que impacta diretamente o espaço hoje ocupado por Angelo Coronel dentro da base governista. Em paralelo, levantamentos eleitorais e articulações locais mostram que o partido busca preservar a hegemonia construída no estado desde 2007, em meio à concorrência de adversários como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Ex-governador da Bahia por dois mandatos (2015–2022), Rui Costa ocupa a Casa Civil desde o início do terceiro governo Lula e é considerado um dos principais articuladores políticos do Planalto. Caso sua candidatura ao Senado se confirme, a saída do ministério até o início de abril de 2026, em cumprimento às regras eleitorais que exigem afastamento seis meses antes da votação, abrirá espaço para mudanças na composição do governo federal e na formação da chapa governista na Bahia para as eleições de 2026.







