A plataforma de jogos Roblox, popular entre crianças e adolescentes, está na mira da Justiça e de órgãos reguladores na Austrália. O motivo? Relatos sérios de aliciamento de crianças e a circulação de conteúdos considerados totalmente impróprios para menores dentro do ambiente virtual.
A iniciativa partiu da ministra das Comunicações, Anika Wells, que não escondeu sua preocupação e exigiu explicações formais da empresa. Além disso, a ministra pediu uma revisão urgente da classificação indicativa PG (Parental Guidance), atribuída ao serviço, questionando se ela ainda é adequada diante das denúncias.
Relatos Alarmantes e a Experiência da Imprensa
O caso ganhou força depois de reportagens, como a do jornal Guardian Australia, revelarem que crianças conseguem, sem grandes dificuldades, acessar ambientes dentro do Roblox que são claramente destinados a adultos. Nesses espaços, foi encontrada a presença de conteúdo sexual explícito e até mesmo referências a automutilação, temas extremamente delicados e perigosos para o público infantil.
Uma das reportagens do Guardian Australia foi ainda mais chocante: uma repórter simulou ser uma menina de oito anos e, ao longo de uma semana, foi exposta a assédio sexual virtual, violência e cyberbullying. Isso aconteceu mesmo com os controles parentais da plataforma ativados, o que levanta sérias dúvidas sobre a eficácia das proteções existentes.
Diante desses relatos, a ministra Wells afirmou estar “alarmada” e requisitou uma análise profunda da classificação etária ao Australian Classification Board. Ela também busca formas de criar medidas adicionais para regular serviços online que impactam crianças.
Ação dos Reguladores e o Significado da Classificação PG
A classificação PG, ou “Parental Guidance” (orientação dos pais), indica que o conteúdo é considerado adequado para crianças, mas pode conter elementos que exigem acompanhamento ou supervisão de adultos. A ministra questiona se essa classificação ainda reflete a realidade do que está acontecendo dentro do Roblox, considerando o risco iminente de exposição a conteúdos e situações prejudiciais.
A eSafety Commissioner, Julie Inman Grant, também entrou em contato com a Roblox. O órgão pretende testar na prática as promessas da empresa para proteger os menores, como tornar contas de usuários abaixo de 16 anos privadas por padrão, desativar ou restringir chats e impedir o contato de adultos com crianças. Inman Grant expressou uma “preocupação contínua” com os relatos de exploração infantil e a exposição a material prejudicial, indicando que medidas adicionais podem ser adotadas com base no Online Safety Act, uma lei de segurança online australiana.
A Resposta do Roblox e a Pressão Continuada
Anika Wells enviou uma carta formal solicitando uma reunião urgente com a Roblox. No documento, a ministra citou não apenas o conteúdo gráfico e sexual, mas também denúncias de predadores que estariam abordando e aliciando crianças dentro da plataforma. Ela chegou a mencionar acusações contra um homem de Queensland, suspeito de aliciar centenas de menores em serviços como Roblox, Fortnite e Snapchat, mostrando a seriedade do problema.
Até o momento, o Guardian Australia informou que a Roblox não respondeu diretamente à carta da ministra. No entanto, em uma nota divulgada na Austrália, um porta-voz da empresa afirmou que a plataforma está “comprometida com a segurança de seus usuários”, destacando a implementação recente de sistemas de verificação de idade e a colaboração com as autoridades australianas.
Apesar da resposta, a ministra Wells reforçou que, embora a empresa já tenha trabalhado com a eSafety em algumas medidas, os problemas e denúncias continuam sendo relatados. Para ela, a situação é “insustentável” e um motivo de grande preocupação para pais e responsáveis em todo o país.







