A política baiana foi movimentada recentemente por rumores sobre uma possível mudança de partido da influente família Coronel. Informações sugeriam que o senador Angelo Coronel e seus filhos – o deputado federal Diego Coronel e o deputado estadual Angelo Filho – estariam considerando migrar para o PSB (Partido Socialista Brasileiro). No entanto, lideranças socialistas vieram a público para negar essa hipótese, esclarecendo os bastidores do cenário político.
De acordo com apurações detalhadas, a ideia de atrair a família Coronel para o PSB teria partido do deputado federal Felipe Carreras, representante do partido em Pernambuco. A movimentação de Carreras seria uma reação direta a uma aproximação estratégica entre o ministro Rui Costa, do PT, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, do PSD. Esse tipo de manobra é comum no xadrez político, onde alianças e realinhamentos são constantes, buscando fortalecer posições para futuras disputas eleitorais.
Negação do presidente nacional do PSB
João Campos, que é prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, foi taxativo ao desmentir que o partido tivesse qualquer intenção de “retrucar” a aproximação do governo federal com Raquel Lyra, que foi sua adversária nas urnas em outubro passado. Campos fez questão de enfatizar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva age como um “republicano nato”.
“O presidente Lula é um republicano nato”, defendeu Campos, explicando a postura do chefe do Executivo federal em manter boas relações institucionais com governadores de todos os espectros políticos, inclusive aqueles que não apoiaram sua candidatura em 2022.
Essa postura de Lula busca despolitizar a relação entre União e estados, priorizando a governabilidade e a entrega de resultados para a população, independentemente das afiliações partidárias. É um sinal de que as relações institucionais buscam transcender as rivalidades eleitorais passadas, focando em um diálogo construtivo.
O cenário político em Pernambuco e as alianças futuras
As negociações sobre a família Coronel se inserem em um contexto maior de articulações para as próximas eleições, especialmente em Pernambuco. No estado, o palanque de João Campos para as eleições futuras deve consolidar uma aliança com o PT. Essa parceria prevê que o senador Humberto Costa seja candidato à reeleição, e Marília Arraes, prima do prefeito, dispute uma vaga no Senado. É uma configuração que busca união de forças para maximizar chances eleitorais e solidificar a base de apoio.
Já a governadora Raquel Lyra, do PSD, tem seu caminho mais alinhado com o próprio partido. O PSD já está de olho em possíveis candidatos para o Palácio do Planalto, com nomes como Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado sendo cogitados. Essa dinâmica mostra como as alianças regionais são muitas vezes reflexo de estratégias maiores no plano nacional, com os olhos nas cadeiras mais importantes do país.
A suposta proposta para a família Coronel mudar para o PSB teria surgido de setores do partido com um alinhamento mais pragmático à direita. Esses grupos estariam insatisfeitos e desejariam um afastamento dos governos petistas, buscando novas composições e um reposicionamento ideológico. Contudo, a complexidade das relações entre as siglas, tanto em nível nacional quanto na Bahia, torna essa possibilidade bastante improvável, segundo avaliações de líderes da legenda socialista. O movimento de um partido para atrair nomes de peso de outras legendas é uma constante no Brasil, mas nem sempre se concretiza diante das intrincadas redes de alianças e lealdades políticas existentes.







