A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) mandou um recado direto para o governo federal: eles querem a suspensão imediata da importação de cacau. Para a categoria, antes de comprar o produto de outros países, é preciso saber o tamanho da safra brasileira.
A manifestação veio logo após o governo publicar uma Medida Provisória, na última sexta-feira (13), que alterou uma regra importante para a indústria. A mudança afeta um benefício fiscal chamado “drawback”, que mexe com os impostos de importação.
Na prática, esse benefício permite que as fábricas comprem amêndoas de cacau de fora sem pagar tributos, com a condição de processar o produto aqui e depois exportar seus derivados, como manteiga e pó de cacau. O prazo para fazer essa operação foi cortado de dois anos para seis meses.
Apesar da mudança, os produtores afirmam que a medida não resolve a questão principal. Vanuza Barroso, presidente da ANPC, foi clara ao dizer que a solicitação é outra: suspender as importações até que se prove a real necessidade de trazer cacau de fora.
Segundo a associação, qualquer discussão sobre a necessidade de importar só faz sentido depois que sair a previsão oficial da safra brasileira. É esse levantamento que vai mostrar se a produção nacional é suficiente para atender a demanda da indústria ou não.
Por fim, a ANPC reforçou que os produtores precisam fazer parte dessas conversas. Eles defendem que, para encontrar uma solução para a crise no setor, quem está no campo plantando cacau precisa ter voz ativa nas decisões.







