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Política

Prefeito de Camaçari cobra isonomia: 'O nosso opositor foi quem recebeu o dinheiro'

Luiz Caetano defende Jaques Wagner após 9ª fase da Compliance Zero e aponta que Flávio Bolsonaro negociou R$ 61 milhões com o dono do Banco Master sem ser alvo de medidas semelhantes.

Redação ChicoSabeTudo
23 de junho, 2026 · 06:38 3 min de leitura
Senador Jaques Wagner e operação da Polícia Federal no caso Banco Master
Senador Jaques Wagner e operação da Polícia Federal no caso Banco Master

O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) na madrugada desta terça-feira (23) e levantou suspeitas sobre motivação política por trás da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que mirou o parlamentar baiano. A declaração foi feita durante os festejos juninos no município, em entrevista ao portal BNews.

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Caetano pediu cautela antes de qualquer julgamento antecipado, mas não poupou palavras ao comparar o caso com as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). "O nosso opositor foi quem recebeu o dinheiro e a operação vai exatamente para a casa do nosso senador, que é o líder do governo no Senado Federal", afirmou o prefeito, segundo informações divulgadas pelo BNews. Para ele, a situação levanta a questão: haveria algo mais por trás da ação?

A PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero cumprindo 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, sócio no Banco Master, estão entre os alvos.

A PF investiga indícios de uma possível relação entre os gestores do Banco Master e o senador Wagner, com suspeita de atuação parlamentar voltada a interesses da instituição financeira em troca de vantagens indevidas. Na operação, os agentes apreenderam cerca de 55 mil dólares e 33 mil euros em endereços ligados ao senador em Brasília e em Salvador.

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Após o cumprimento da operação, Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master e afirmou que o dinheiro apreendido seria fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais. Em nota, sua assessoria esclareceu que o senador não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados, acompanhando com tranquilidade o andamento das investigações.

O ponto central da fala de Caetano é a comparação com o caso envolvendo Flávio Bolsonaro. Em maio, o Intercept Brasil divulgou que o filme "Dark Horse" — produção biográfica sobre Jair Bolsonaro — foi financiado com dinheiro pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master liquidado por fraudes. Segundo a matéria, Vorcaro transferiu pelo menos R$ 61 milhões para a produção.

Flávio Bolsonaro, que horas antes havia negado que Vorcaro tivesse qualquer envolvimento com o filme, acabou confirmando que tinha pedido dinheiro ao banqueiro, mas negou ter recebido qualquer vantagem indevida. Ainda assim, até o momento, ele não foi alvo de medidas no âmbito da Compliance Zero — o que o prefeito de Camaçari classifica como uma assimetria difícil de ignorar.

Após o cumprimento da operação contra Wagner, o senador passou a sofrer pressão do entorno do presidente Lula, incluindo aliados e lideranças do PT, para deixar a liderança do governo no Senado, pelo temor de que ele pudesse associar o partido à imagem do Banco Master. Apesar da pressão, o senador ganhou uma sobrevida ao receber uma ligação de Lula.

Durante a mesma entrevista, Caetano também elogiou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), destacando sua proximidade com os municípios e com a população baiana. A fala foi feita em meio à programação junina de Camaçari, que reuniu moradores e visitantes ao longo da noite.

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