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Porto de Aratu vira nova saída do agro baiano com R$ 900 mi da CS Portos em quatro anos

Empresa do Grupo Simpar completa quatro anos em Aratu-Candeias tendo aberto, pela primeira vez em 51 anos, a exportação de grãos pelo complexo portuário baiano.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
08 de junho, 2026 · 07:13 3 min de leitura
Terminal ATU 18 do Porto de Aratu-Candeias com estrutura de exportação de grãos
Terminal ATU 18 do Porto de Aratu-Candeias com estrutura de exportação de grãos

Uma das principais lacunas logísticas do agronegócio baiano começou a ser preenchida nos últimos quatro anos. A CS Portos assumiu, em 2022, dois arrendamentos estratégicos no Porto de Aratu: o ATU 12, voltado à movimentação de granéis sólidos minerais, e o ATU 18, direcionado aos granéis vegetais. Desde então, a empresa, que integra a CS Infra do Grupo Simpar, colocou em marcha um dos maiores programas de modernização portuária já vistos no Nordeste.

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A CS Portos concluiu investimentos superiores a R$ 900 milhões nos terminais ATU 12 e ATU 18. O volume financeiro se traduziu em obras concretas: as intervenções ampliaram a capacidade de movimentação do ATU 12 para até 6 milhões de toneladas ao ano — cerca de 3,5 vezes mais do que anteriormente —, além de expandir a capacidade de estocagem para 570 mil toneladas, entre armazéns e pátios, e habilitar o terminal para receber navios de até 125.000 DWT e profundidade de 15 metros.

O marco mais simbólico do período, porém, veio em março de 2026. O Porto de Aratu-Candeias realizou, pela primeira vez em 51 anos de funcionamento, a movimentação de granéis vegetais — com o embarque inicial de 35 mil toneladas de sorgo provenientes do oeste baiano. O ATU 18 se tornou o primeiro terminal dedicado à exportação de grãos dentro de um porto público baiano.

O Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — consolidou-se como uma das principais fronteiras agrícolas do país. Cerca de 1,2 milhão de toneladas produzidas no oeste baiano deixavam de ser exportadas pelo estado por falta de infraestrutura. Com a nova estrutura, parte desse volume passa a ser direcionado para Aratu, reduzindo distâncias e custos logísticos.

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A nova rota encurta em cerca de 800 quilômetros o trajeto em relação a alternativas como o Porto de Itaqui (MA), reduzindo o custo do frete em aproximadamente R$ 20 por tonelada e diminuindo o tempo de transporte. Na prática, isso significa maior competitividade para o produtor que antes precisava enviar sua safra para outros estados antes de chegar ao mercado externo.

A modernização também teve suporte de grandes instituições financeiras. Em janeiro de 2025, o BNDES aprovou R$ 246 milhões em garantias de fianças bancárias vinculadas a financiamentos do Banco do Nordeste para investimentos da CS Infra nos terminais ATU 12 e ATU 18. A previsão é que os investimentos gerem cerca de 200 empregos diretos.

A ampliação da capacidade de operação, armazenamento e movimentação aumentará a produtividade dos terminais, passando de 300 para 2.000 toneladas por hora. O potencial colabora para projetar o Porto de Aratu como vice-líder de movimentações dos portos públicos da Bahia — foram cerca de 6,03 milhões de toneladas em 2024, equivalente a 48% de participação.

Para o diretor-presidente da CS Portos, Marcos Tourinho, o caminho percorrido até aqui é apenas o começo. "A CS Portos não veio só para investir em Aratu. A ideia é expandir para outros ativos", afirmou o executivo. Em etapas futuras de expansão, a expectativa é que a movimentação anual do terminal ATU 18 possa chegar a 7,5 milhões de toneladas.

Os terminais também receberam atualizações nos sistemas de automação, segurança e controle ambiental. Entre as medidas estão sistemas de tratamento de efluentes e um projeto de geração solar, que prevê o fornecimento de até 20% da energia consumida nas instalações. Quatro anos depois de iniciada a operação, a Bahia ganha peso crescente no mapa logístico do agronegócio nacional.

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