Uma lei federal acaba de transformar Piranhas em parte oficial de um dos roteiros turísticos mais ambiciosos do Nordeste. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.444, que institui a Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas, com o objetivo de incentivar e fortalecer o turismo de aventura, de natureza e histórico na região. A norma foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (29).
O novo roteiro contempla os municípios de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca, cidades que preservam importantes marcos da história alagoana e brasileira. Para quem mora na região do São Francisco — como Paulo Afonso, na Bahia —, Piranhas é vizinha de porta e um destino já conhecido. Agora, ela ganha ainda mais peso no cenário nacional.
Piranhas integra o percurso por sua importância histórica na navegação do Rio São Francisco durante os períodos imperial e republicano. O sítio histórico e paisagístico de Piranhas foi tombado pelo Iphan em 2004, e a área de tombamento inclui o núcleo histórico da cidade, o distrito de Entremontes e um trecho de 13 km do Rio São Francisco.
Além da paisagem natural exuberante, Piranhas reúne cultura, história e gastronomia regional, transformando a cidade em um dos destinos mais autênticos do interior do Nordeste brasileiro. Entre as atrações mais procuradas estão os passeios pelos Cânions do Xingó, durante os quais os turistas navegam entre paredões rochosos de tonalidade alaranjada que contrastam com as águas esverdeadas do São Francisco. Piranhas também é conhecida como ponto de partida da famosa Rota do Cangaço, preservando a memória de personagens como Lampião e Maria Bonita.
A lei é assinada também pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que celebrou a criação da rota, afirmando que a medida valoriza a preservação da história e da diversidade cultural do Nordeste. Segundo o ministro, "os sete municípios que fazem parte da rota guardam um patrimônio arquitetônico, material e imaterial riquíssimo", e o papel do governo agora é transformar esse potencial em mais turistas, emprego e renda para o povo alagoano.
A legislação teve origem no Projeto de Lei nº 3.758/2023, de autoria do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). No Senado, a proposta foi relatada pelo senador Hermes Klann (PL-SC), que ressaltou o potencial da iniciativa para ampliar a visibilidade dos destinos e fortalecer o turismo regional.
De acordo com a lei, a estruturação, a gestão e a promoção dos atrativos turísticos da rota receberão apoio dos programas oficiais voltados ao fortalecimento da regionalização do turismo. Também poderão integrar a rota os municípios criados a partir do desmembramento ou da fusão dessas cidades.
Para além do reconhecimento simbólico, a criação do circuito pode representar mais investimentos em infraestrutura, qualificação de serviços e promoção conjunta dos destinos. O tombamento de Piranhas pelo Iphan se justificou por seus valores históricos, arquitetônicos e culturais, por ser a região representante da ocupação e conquista do estado desde o início do século XVIII e da integração social e comercial do Nordeste. Com a nova rota, esse legado passa a ser promovido em escala nacional.







