A Polícia Federal (PF) veio a público defender a escolha do terreno onde pretende construir sua nova sede em Ilhéus, no sul da Bahia. Em nota oficial, a instituição rebateu o que classificou como "informações imprecisas, interpretações equivocadas e narrativas que não refletem adequadamente a realidade dos fatos", em referência às críticas levantadas por entidades da sociedade civil sobre a localização escolhida.
O terreno está localizado na Avenida Soares Lopes, no bairro Cidade Nova, em Ilhéus, e possui 12.560,80 m² — área equivalente a quase um campo de futebol e meio. O imóvel está avaliado em R$ 5,035 milhões e pertence ao patrimônio da União. A Secretaria do Patrimônio da União na Bahia (SPU-BA) confirmou a transferência da área ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o Termo de Entrega assinado na última segunda-feira (18).
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a escolha pelo local — onde antes funcionava a antiga Concha Acústica de Ilhéus, desativada e usada por dependentes químicos — se deve, entre outros fatores, à proximidade estratégica com o Porto de Ilhéus. A instituição alega que atua permanentemente no porto com atividades de polícia judiciária da União, fiscalização migratória e controle de embarcações estrangeiras.
A PF também argumenta que a estrutura atual está defasada e não comporta as demandas do órgão. Atualmente, o atendimento de passaportes, regularização migratória e serviços para estrangeiros é feito em espaço improvisado dentro de um posto do SAC, segundo a nota. A nova sede concentraria esses serviços com estrutura adequada.
A nota explica ainda que a localização inicial aprovada era outra — ao lado direito do Centro de Convenções, em direção à Praça da Irene. Contudo, ao saber que a área da antiga Concha Acústica estava desocupada, a PF solicitou a troca do terreno, em acordo prévio com a Prefeitura de Ilhéus. A ideia, segundo a corporação, é liberar o espaço anterior para uso em projetos de interesse público.
A decisão, porém, não passou sem contestação. Em abril, o Instituto Nossa Ilhéus divulgou nota pública assinada por 33 associações municipais pedindo a revisão da concessão e a realização de consulta pública. As entidades lembraram que, em 2022, sociedade civil organizada, técnicos e a Câmara de Vereadores realizaram um processo consultivo sobre o uso da área de 610 mil m² na orla — que inclui o terreno cedido à PF. A comunidade queria destinar o local a projetos de lazer, esportes e valorização cultural.
O terreno é uma área de acreção — formada pelo acúmulo de sedimentos ao longo das décadas, processo acelerado pela construção do porto local, que alterou as correntes marinhas. Por ser classificado como Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA), o solo exige rigor técnico e cautela diante das mudanças climáticas.
Do ponto de vista operacional, a PF destacou na nota que a delegacia de Ilhéus é responsável por investigações de crimes federais em 52 municípios do sul da Bahia. Nos últimos três anos, segundo o órgão, foram deflagradas diversas operações de combate a desvio de recursos públicos em prefeituras da região, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e crimes de abuso sexual infantojuvenil.
A portaria da SPU estabelece que a entrega é provisória e deverá ser confirmada em até dois anos, a depender da comprovação de que o imóvel foi utilizado conforme a finalidade prevista. O prazo e o destino definitivo da área ainda dependem do início efetivo das obras.







