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Política

Educador alerta sobre cação na merenda de Salvador: "Ignorar os alertas científicos é colocar crianças em risco"

Professor Jorge Sales critica inclusão do peixe no cardápio escolar municipal após pesquisa da Fiocruz apontar acúmulo de mercúrio, arsênio, chumbo e cádmio na carne do animal.

Redação ChicoSabeTudo
12 de julho, 2026 · 00:12 3 min de leitura
Prato de merenda escolar com peixe em escola pública brasileira
Prato de merenda escolar com peixe em escola pública brasileira

Um professor de Salvador usou as redes sociais para denunciar a decisão da Prefeitura de Salvador de incluir filé de cação na merenda da rede municipal de ensino. Em vídeo publicado no Instagram, Jorge Sales afirmou que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) tem "ignorado alertas científicos" consolidados sobre os riscos do consumo desse alimento para crianças.

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Segundo informações divulgadas pelo portal BNews, a prefeitura teria adquirido 24 toneladas do pescado, com investimento de R$ 576 mil. A compra foi revelada com exclusividade pelo veículo nesta semana, e a denúncia do professor ganhou repercussão nas redes sociais logo em seguida.

O educador fundamentou a crítica em estudo publicado em 2024 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Pesquisadores da Fiocruz e de instituições parceiras publicaram uma revisão científica reunindo evidências sobre a contaminação por metais em tubarões e outros peixes cartilaginosos. O estudo destacou que populações vulneráveis, como gestantes, idosos, bebês e crianças, podem ser especialmente suscetíveis aos efeitos desses contaminantes, incluindo impactos sobre o desenvolvimento neurológico e cognitivo.

Como predadores de topo de cadeia, os tubarões tendem a concentrar em seus tecidos altos níveis de metais pesados, como o mercúrio e o arsênio — elementos que podem prejudicar a saúde humana se ingeridos em grandes quantidades. Pesquisadora da Fiocruz Rachel Ann Hauser-Davis alertou que "o risco é maior para crianças, que têm menor peso corporal e estão ainda em desenvolvimento".

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O impacto do mercúrio no organismo infantil é amplamente documentado pela ciência. Como o cérebro do feto ainda está em formação, ele é muito mais sensível ao efeito do metilmercúrio. "As lesões em crianças costumam ser numerosas e mais graves e afetam principalmente a parte cognitiva", explicam pesquisadores da Fiocruz. Danos que ocorrem nessa área durante o período pré-natal ou nos cinco primeiros anos de vida podem levar à diminuição do desempenho intelectual ao longo da vida.

O caso de Salvador não é isolado. Órgãos dos governos federal, estadual e municipal do Brasil estão comprando carne de tubarão em grande escala e servindo-a em milhares de escolas, hospitais, prisões e outras instituições públicas, levantando preocupações ambientais e de saúde pública. O Brasil é o maior consumidor de carne de tubarão do mundo. Investigações jornalísticas já identificaram três pedidos de licitações para a aquisição de 132 toneladas de cação em Salvador desde 2021.

Em outros estados, a pressão científica e judicial já produziu resultados concretos. O estado do Rio de Janeiro baniu a inclusão de carne de tubarão na merenda escolar de 1.200 escolas públicas. Além disso, após ação judicial iniciada no Paraná, instituições federais foram proibidas de comprar carne de tubarão e raia comercializada genericamente como "cação" sem identificação completa da espécie e informações de origem.

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O professor Jorge Sales cobrou coerência das autoridades municipais. Segundo informações do BNews, ele questionou por que decisões da Justiça Federal e alertas de institutos como a Fiocruz seriam ignorados na elaboração do cardápio escolar de Salvador, defendendo que a merenda precisa ser "sinônimo de segurança e nutrição, não de risco".

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Salvador afirmou, segundo o BNews, que o filé de cação integra os cardápios elaborados por nutricionistas "em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e com a legislação sanitária, nutricional e ambiental vigente". Apesar dos alertas científicos, o "cação" continua presente em políticas públicas de alimentação em todo o país.

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