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O legado de Ewerton Almeida

Entre a política, o cacau e a vida comunitária, a morte de “Tom Legal” abre espaço para pensar o tipo de liderança que anda rareando no país.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
16 de novembro, 2025 · 10:29 2 min de leitura
O legado de Ewerton Almeida

A morte de Ewerton Souza de Almeida, o “Tom Legal”, aos 84 anos, na madrugada de sexta-feira (14), em Juazeiro, encerrou a trajetória de um político que nunca fez barulho para aparecer, mas sempre fez questão de aparecer quando o trabalho precisava ser feito. Ex-vereador de Jequié, ex-deputado estadual e figura conhecida nas lutas dos produtores de cacau, ele vivia em Jeremoabo nos últimos anos.

O que fica quando o barulho passa

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Talvez o ponto mais curioso sobre Ewerton Almeida seja justamente o que ele não foi: não era um político performático, não disputava palco, não tratava adversário como inimigo. Em tempos em que a política opera mais em estúdio do que em plenário, ele parecia um sujeito deslocado — do tipo que acreditava que problema se resolve com conversa, não com lacração.

Formado em Odontologia, entrou na vida pública pelos caminhos tradicionais: dois mandatos de vereador nos anos 1970 e, depois, dois mandatos de deputado estadual entre 1987 e 1995. Participou do processo constituinte baiano e atuou como vice-líder do MDB. Nada disso virou manchete à época, não por falta de relevância, mas porque sua figura não dependia de holofote.

Um defensor insistente dos cacauicultores

Se existe uma marca incontestável na trajetória de Tom Legal, é a insistência em defender o produtor de cacau, especialmente nos períodos mais duros da crise da vassoura-de-bruxa. Ele participou de negociações, esteve em reuniões internacionais e brigou por políticas de recuperação econômica quando o sul da Bahia via sua principal cadeia produtiva se desmanchar.

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O ponto aqui não é romantizar: nem ele nem qualquer liderança da época conseguiu resolver tudo. Mas há um valor em alguém que atravessa décadas defendendo uma causa porque acredita nela — e não porque rende voto fácil.

A política feita no chão da comunidade

Almeida também teve presença constante em instituições esportivas e sociais de Jequié. Era o tipo de liderança que você encontrava tanto em reunião de sindicato como no ginásio da escola, discutindo esporte e vida comunitária. Um político que sabia onde estava pisando — e quem o observava.

Esse vínculo talvez explique o número de homenagens recebidas ao longo da vida e os decretos de luto oficial após sua morte. Não é sobre título; é sobre reconhecimento.

Uma despedida que vira reflexão

A ALBA decretou três dias de luto. Prefeituras e câmaras municipais fizeram o mesmo. Figuras de diferentes espectros políticos manifestaram pesar. Tudo isso diz algo importante: mesmo numa arena polarizada, ainda existe espaço para respeitar quem construiu pontes em vez de queimá-las.

E aqui vai a provocação: a política baiana — e brasileira — anda carente de figuras assim. Não perfeitas, não impecáveis, mas decentes no trato, firmes nas convicções e capazes de olhar para além do próprio ciclo eleitoral.

A morte de Ewerton Almeida não é só o fim de uma biografia. É um lembrete do tipo de liderança que estamos deixando escapar.

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