O Brasil está lá embaixo na lista quando o assunto é mulher na política. O país ocupa a 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento. Enquanto a média global é de 27,2% de mulheres nos congressos, por aqui os números não chegam a 20%, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
Mas o que isso significa na prática? Segundo especialistas, essa ausência cria um “déficit democrático”. As leis e as estruturas do poder acabam sendo pensadas e construídas sem o ponto de vista das mulheres, que são mais da metade da população. Basicamente, as regras do jogo são feitas por homens, para homens.
Essa dificuldade tem raízes históricas. Por muito tempo, a política foi vista como “coisa de homem”, enquanto o lugar da mulher era em casa. Para a pesquisadora Vanessa Vitório, essa antiga divisão dificulta até hoje a entrada feminina nos espaços onde as decisões importantes são tomadas.
E quando elas conseguem entrar, o ambiente é muitas vezes hostil. A vereadora Cris Correia, de Salvador, desabafa que precisa provar sua competência o tempo todo, um peso que os homens não costumam carregar. É uma luta diária para ser levada a sério e participar dos debates importantes.
Pior do que a desconfiança é a violência. Quase metade dos casos de violência política registrados no Brasil são contra mulheres, mesmo elas sendo minoria nos cargos. Essa prática serve para intimidar e tentar impedir que elas exerçam seus direitos políticos.
Um exemplo claro disso acontece aqui na Bahia. A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) está processando um colega, o deputado Diego Castro (PL), por violência política de gênero após uma discussão que aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa.
Apesar do cenário difícil, existem leis para tentar mudar essa realidade, como a que reserva 30% das candidaturas para mulheres. A discussão sobre o tema foi aprofundada no podcast "Democracia Incompleta", que ouviu parlamentares e especialistas sobre os desafios enfrentados.







