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Política

MP-BA abre inquérito contra vereador de Vitória da Conquista acusado de rachadinha

Gilvan Nunes Pereira, o Dinho dos Campinhos, do Republicanos, é alvo de investigação formal após ex-assessor denunciar exigência sistemática de devolução de salário via Pix.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 12:28 2 min de leitura
Câmara Municipal de Vitória da Conquista, onde Dinho dos Campinhos exerce mandato de vereador
Câmara Municipal de Vitória da Conquista, onde Dinho dos Campinhos exerce mandato de vereador

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu formalmente um inquérito para apurar a suposta prática de rachadinha atribuída ao vereador de Vitória da Conquista Gilvan Nunes Pereira, conhecido como Dinho dos Campinhos, do Republicanos. A decisão foi publicada na edição desta terça-feira, 7, do Diário Oficial de Justiça da Bahia, e a comunicação oficial aconteceu na segunda-feira, 6.

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A abertura do inquérito foi determinada por George Elias Gonçalves Pereira, promotor titular da 8ª Promotoria de Justiça de Vitória da Conquista. O caso ganhou impulso após o ex-assessor parlamentar Dely Nascimento Santos formalizar uma representação criminal contra o edil em abril deste ano.

Segundo a denúncia, o vereador teria exigido, de forma sistemática e reiterada, a devolução de parte expressiva dos salários pagos ao assessor, com repasses feitos por transferências bancárias e Pix. De acordo com documentos apresentados às autoridades, em determinados meses o ex-servidor ficava praticamente sem saldo: conforme informações da fonte original, em março de 2024, após receber R$ 2.564,13, o assessor teria transferido R$ 2.564,00, restando apenas R$ 0,13 em conta. Segundo a TV Sudoeste, os valores totais repassados somam entre R$ 45 mil e R$ 60 mil.

Em áudios atribuídos ao vereador e apresentados como prova, Dinho dos Campinhos teria explicado ao ex-assessor que o suposto acordo previa que o servidor ficasse com cerca de R$ 700 por mês, devendo repassar o restante. O material inclui ainda trechos em que o edil faz cobranças e, segundo apurado pelo portal A Tarde, chega a fazer ameaças ao ex-auxiliar.

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O MP-BA enquadra a rachadinha como desvio de finalidade de verba pública, já que o valor destinado à remuneração de cargo comissionado estaria sendo desviado por meio da exigência de devolução. Na esfera criminal, o parlamentar pode responder por concussão, peculato e associação criminosa, crimes com penas que vão de 1 a 12 anos de reclusão, além de multa. Há ainda possibilidade de ação por improbidade administrativa.

O caso também tramita no âmbito da Câmara Municipal. O presidente da Casa, Ivan Cordeiro (PL), confirmou o recebimento da denúncia e o encaminhamento à Corregedoria. A Corregedoria já concluiu seu relatório, que foi entregue à Mesa Diretora para análise e definição dos próximos passos. A Câmara pode instaurar uma Comissão de Ética, e, se confirmadas as irregularidades, o vereador poderá responder por quebra de decoro parlamentar, com risco de perda do mandato.

Em meio ao escândalo, Dinho dos Campinhos já deixou o cargo de segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara. Em carta, o vereador alegou que a renúncia ao posto foi necessária para se dedicar à própria defesa.

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A defesa do parlamentar, representada pelo advogado Ademir Ismerim, nega as acusações e afirma que o vereador seria alvo de tentativa de extorsão por parte do ex-assessor. O advogado garantiu que o cliente irá colaborar com as investigações. Dinho dos Campinhos está em seu segundo mandato: foi eleito em 2020, pelo Progressistas, com 1.486 votos, e reeleito em 2024, já pelo Republicanos, com 3.109 votos.

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