A temperatura subiu em Brasília e respingou direto na Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa quase foram convocados para depor na CPI do Crime Organizado. A ameaça partiu do senador Sérgio Moro (União-PR) e serviu como uma resposta direta a uma manobra do PT.
Tudo começou quando o senador Humberto Costa (PT-PE) tentou aprovar um pedido para convocar ACM Neto (União Brasil) para a comissão. A ideia era que o ex-prefeito de Salvador explicasse a relação de sua empresa de consultoria com o Banco Master.
Sérgio Moro, que é do mesmo partido de Neto, não gostou da jogada. Ele avisou que, se o requerimento contra ACM Neto fosse adiante, ele pediria na mesma hora a convocação de Rui Costa e Jerônimo Rodrigues para tratar do mesmo assunto: a relação do governo baiano com o banco.
Diante da ameaça de ver o governador e um dos principais ministros do governo Lula na berlinda, o senador do PT pisou no freio. Humberto Costa retirou da pauta tanto o pedido de convocação de ACM Neto quanto o de quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Para o PT, a convocação de Neto era necessária por causa de um relatório do Coaf que apontou um pagamento de R$ 3,6 milhões do Banco Master para a empresa do ex-prefeito. O partido suspeita de tráfico de influência ou outras irregularidades.
Já Moro argumentou que a principal suspeita na relação com o banco na Bahia recai sobre o governo de Rui Costa, por causa de um contrato exclusivo para empréstimos a servidores. Segundo ele, a tentativa de chamar ACM Neto era só "jogo político".
Apesar de ter recuado por agora, o senador petista avisou que pode apresentar os pedidos contra ACM Neto novamente no futuro. A briga, pelo visto, está longe de acabar.







