O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), veio a público defender a recente decisão da corte que estabeleceu um código de conduta para todos os magistrados. Para ele, essa norma trouxe mais segurança e clareza para a Justiça, especialmente depois de algumas situações que ele descreveu como “verdadeiros absurdos” que aconteceram no meio jurídico.
Moraes explicou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) precisou agir para dar um basta nesses problemas pontuais. Ele citou exemplos de juízes que se envolveram em “discursos de ódio” e até em “atividade político-partidária” nas redes sociais. Essas atitudes, segundo o ministro, são totalmente incompatíveis com a função de julgar e garantir a justiça.
Ainda detalhando os comportamentos que não combinam com a magistratura, Moraes lembrou de casos curiosos e preocupantes. “Havia magistrada que não aparecia na comarca para trabalhar, mas aparecia em programa da Jovem Pan. Havia outro que ensinava como os advogados deviam defender as causas. Outros magistrados queriam ser influencers. Isso é incompatível”, declarou o ministro. Ele deixou claro que a imparcialidade e a dedicação ao trabalho são essenciais para quem ocupa uma cadeira na Justiça.
O ministro fez questão de frisar que a carreira de juiz é uma das mais restritas do serviço público. “Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura. Magistrado não pode fazer mais nada na vida. Só o magistério”, disse. Isso significa que, fora dar aulas e palestras, os juízes não podem ter outras atividades profissionais, como exercer cargos comerciais ou administrativos.
Ele detalhou que, embora possam ter bens como ações, empresas ou fazendas, os magistrados estão proibidos de administrar esses negócios diretamente. Essa rigidez tem como objetivo garantir que não haja conflitos de interesse e que o foco do juiz seja exclusivamente o trabalho pela justiça.
Por fim, Moraes também comentou sobre as críticas que o Poder Judiciário costuma receber. Em sua avaliação, muitas dessas críticas surgem por “desconhecimento ou má-fé”, indicando que nem sempre quem critica entende a complexidade e as exigências da função judicial.







