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Política

Milho domina crédito rural: BNB injeta quase R$ 400 mi no campo sergipano em seis meses

Grão responde por quase 73% de todo o crédito de custeio liberado pelo Banco do Nordeste em Sergipe de janeiro a junho de 2026, com mais de 4 mil produtores atendidos.

Redação ChicoSabeTudo
21 de julho, 2026 · 06:11 3 min de leitura
Lavoura de milho no Sertão sergipano financiada pelo BNB
Lavoura de milho no Sertão sergipano financiada pelo BNB

O Banco do Nordeste (BNB) liberou mais de R$ 396 milhões em crédito para custeio agropecuário em Sergipe entre janeiro e junho de 2026. O número impõe o milho como protagonista absoluto: a cultura sozinha absorveu R$ 288,3 milhões, o equivalente a 72,8% de tudo o que o banco destinou ao custeio no estado no período, segundo dados divulgados pelo próprio BNB.

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Ao todo, mais de 4 mil produtores rurais sergipanos foram beneficiados. O crédito se divide em dois grandes blocos: R$ 309,5 milhões foram para custeio de atividades agrícolas e R$ 86,5 milhões para atividades pecuárias. Na pecuária, o destaque ficou com a bovinocultura de corte, que recebeu R$ 64,9 milhões em cerca de 1,8 mil aplicações.

Na parte agrícola, o milho disparou na frente. Os R$ 288,3 milhões foram distribuídos em mais de 1,9 mil contratos de crédito. Desse total, 51% foi destinado à agricultura empresarial — R$ 147,1 milhões —, enquanto os 49% restantes foram aplicados na agricultura familiar, mostrando que o grão sustenta tanto o grande produtor quanto o pequeno.

Geograficamente, mais da metade dos contratos de milho (51,7%) passou pelas agências do BNB em Nossa Senhora da Glória, Itabaiana, Nossa Senhora das Dores, Simão Dias e Carira — municípios que formam a espinha dorsal da fronteira agrícola do Agreste e do Sertão sergipano, segundo informações divulgadas pelo banco.

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O superintendente estadual do BNB, César Santana, explicou como funciona a engrenagem do crédito rural no estado. "É um trabalho de planejamento do produtor e também das equipes do crédito rural, seja nas 17 agências do BNB no estado ou nas 14 unidades do Agroamigo, que é o nosso programa de microcrédito", disse ele. O ciclo segue um calendário previsível: de fevereiro a junho, os produtores buscam recursos para custear sementes, fertilizantes, defensivos e mão de obra; a colheita ocorre entre março e junho, com uma segunda etapa em outubro.

O peso do milho no campo sergipano tem respaldo nos números da produção. De acordo com levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste do BNB (Etene), baseado em dados da Conab, Sergipe deve registrar rendimento médio de 5,9 mil quilos por hectare nesta safra — o maior índice de produtividade do Nordeste, à frente do Maranhão e do Piauí. Em termos de volume, a produção sergipana deve chegar a 1,1 milhão de toneladas, quarta maior do Nordeste, logo atrás de Bahia, Maranhão e Piauí. Na safra 24/25, essa marca já havia sido atingida pela primeira vez, representando crescimento de 17,9% e o maior resultado da série histórica estadual.

O quadro positivo do primeiro semestre, porém, contrasta com um alerta climático na sequência da safra. Relatório da Conab divulgado em julho apontou que veranicos registrados desde o fim de maio atingiram praticamente todas as regiões produtoras de milho de Sergipe, com maior intensidade no Semiárido. A estimativa para a terceira safra do grão no estado foi reduzida significativamente, com perdas mais severas no Sertão. O crédito liberado pelo BNB no primeiro semestre, portanto, sustentou a fase mais crítica do plantio e da colheita — exatamente o período em que a chuva ainda favorecia a produção.

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Além do BNB, o Banco do Brasil também anunciou R$ 1 bilhão para financiar a safra 2026/27 em Sergipe, dos quais R$ 528 milhões voltados a pequenos e médios produtores. O cenário reforça o peso do crédito institucional para manter o campo sergipano em movimento, especialmente em um ano marcado pela irregularidade das chuvas no Nordeste.

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