O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou pela primeira vez sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que se aprofundou nesta semana por causa do caso Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (3), Lula classificou o escândalo como "o maior roubo da história do Brasil".
Segundo Lula, milhões de pessoas de vários estados e municípios foram roubadas pelo esquema. "Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos", disse o presidente.
Lula defendeu que a democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Ele cobrou que o presidente do STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conduzam um processo que garanta integridade e confiança nas investigações. "Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer", afirmou.
A fala de Lula ocorre em meio a uma disputa dentro do próprio STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que quatro autoridades prestem esclarecimentos em até cinco dias: os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A decisão de Fachin veio depois de Moraes pedir a abertura de uma investigação contra Mendonça, relator do caso Master no STF, com base no inquérito das fake news. Moraes alega haver "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça, além de questionar possível direcionamento contra ele próprio e contra o senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O pedido de Moraes aconteceu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento reúne mensagens e registros de contatos entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes. Segundo Fachin, informações sobre a elaboração desse relatório teriam chegado a Moraes antes mesmo de o material ser enviado à PGR.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão o uso de credenciais institucionais para acessar documentos particulares e a possível divulgação de informações sob sigilo judicial a pessoa investigada. A iniciativa de Fachin acontece depois de a própria PGR apontar possíveis irregularidades na condução da investigação e defender a extinção da apuração sob responsabilidade de Mendonça.
Fachin abriu um procedimento para reunir informações antes de decidir os próximos passos. Ele afirmou que qualquer análise pelo colegiado da Corte deverá respeitar as garantias constitucionais do devido processo legal.







