Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Lula se lança à reeleição em Salvador e dosa falas em evento do MST

Presidente Lula se lançou como candidato à reeleição no 14º Encontro Nacional do MST em Salvador, dosando suas palavras e cativando a plateia com discursos sobre política internacional e nacional.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
26 de janeiro, 2026 · 10:33 2 min de leitura
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou seu desejo de disputar a reeleição em 2026 durante o 14º Encontro Nacional do MST, que aconteceu na última sexta-feira em Salvador, na Bahia. Em um palco que ele conhece bem, Lula discursou para uma plateia entusiasmada, que o recebeu com a energia de quem aplaude um astro do rock.

Publicidade

Mesmo em um ambiente tão receptivo, onde alguns talvez esperassem discursos mais passionais ou até mesmo deslizes, o presidente mostrou experiência e dosou cada palavra. Lula abordou os temas importantes para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, mas também ampliou o leque para assuntos de grande impacto internacional e nacional.

Lula aborda política mundial e adversários

Um dos pontos altos foi a forma como Lula tratou da reconfiguração das relações internacionais. Sem atacar diretamente figuras como Donald Trump, o presidente deixou claro seu posicionamento contrário a uma “nova ordem mundial” que desvalorize o multilateralismo. Ele honrou a tradição diplomática brasileira, focando na autodeterminação dos povos e evitando as defesas mais radicais de líderes como Nicolás Maduro, que por vezes são pautas dentro do próprio MST. Essa postura equilibrada reflete seus três mandatos na Presidência e a experiência de seus quase 80 anos.

Em relação aos potenciais adversários nas urnas, Lula brincou que ainda não sabe quem vai enfrentar. Essa fala estratégica mostra que, apesar de ser visto como favorito diante da fragmentação da direita, ele não subestima a corrida eleitoral. A equipe que o acompanha trabalha nos bastidores para construir um Congresso Nacional menos resistente às pautas do governo, algo que ele vê como essencial para o sucesso de suas políticas.

Publicidade

“Chamo de ‘voto maldito’ todo eleitor que comete crime de violência contra a mulher. É preciso rechaçar qualquer tipo de agressão e machismo na nossa sociedade.”

Lula também aproveitou a ocasião para criticar a violência contra a mulher, chamando de “voto maldito” eleitores que praticam tais atos, arrancando aplausos fervorosos da plateia, que gritava a cada nova fala do presidente.

Humanidade e os perigos da adoração excessiva

Apesar de sua popularidade inegável, o texto base aponta que há um certo exagero nas tentativas de enaltecer Lula. As falas laudatórias de quem o antecedeu no palanque e a espera de mais de três horas por sua chegada, que causou comoção, por vezes transformam o petista em um personagem quase divino. Esse excesso, segundo a análise, pode aproximar a esquerda do bolsonarismo na percepção dos adversários – um erro que, muitas vezes, é mais atribuído ao seu entorno do que ao próprio Lula, que se mostra “humano” em diversas situações.

Para sua militância e para a esquerda, Lula continua sendo um mestre na arte de comunicar e cativar. No entanto, o texto sugere que, entre suas muitas qualidades e alguns defeitos, um desafio permanece: “encantar as serpentes” da oposição, ou seja, conquistar o diálogo e o apoio daqueles que pensam diferente no cenário político brasileiro.

Leia também