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Política

Lula: "Quem bate em mulher não precisa votar em mim" no dia de recorde de feminicídios

Presidente Lula declara em evento que não quer votos de quem bate em mulher, reforçando compromisso contra a violência no dia em que o Brasil atinge recorde de feminicídios.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
20 de janeiro, 2026 · 22:33 2 min de leitura
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração contundente nesta terça-feira (20) em um evento na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul: “Quem bate em mulher não precisa votar em mim”. A fala, que reforça o compromisso do seu governo em combater a violência doméstica e o feminicídio, veio a público justamente no dia em que o Brasil registrou um novo e triste recorde de feminicídios.

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Durante a cerimônia de assinatura de contratos para a construção de navios no Estaleiro Ecovix, parte do Programa Mar Aberto, Lula enfatizou que a luta contra a violência contra a mulher é, antes de tudo, uma responsabilidade masculina.

"Quem tem que evoluir somos nós, homens. Portanto, eu assumi essa luta, estamos fazendo um pacto nacional contra a violência contra a mulher. E eu vou dizer o seguinte, quem bate em mulher, não precisa votar em mim", reiterou o presidente, sublinhando a gravidade da questão.

Recorde de feminicídios assombra o Brasil

A declaração de Lula ganha um peso ainda maior diante dos números divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ano de 2025 marcou o maior registro de feminicídios em uma década no Brasil, com pelo menos 1.470 ocorrências em todo o país. Esse dado supera as 1.459 mortes contabilizadas em 2024, representando um aumento de cerca de 0,41%.

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É importante ressaltar que os números de 2025 ainda podem subir, já que alguns estados, como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, ainda não enviaram os dados completos referentes aos crimes de dezembro.

Homens como protagonistas na luta contra a violência

Lula deixou claro que a orientação do Palácio do Planalto é para que todos os seus ministros abordem o tema da violência contra a mulher em seus discursos futuros, transformando a pauta em um compromisso transversal do governo.

"Quem tem que lutar contra o feminicídio não é a mulher, é o homem. Ele que é agressivo. Cada ministro meu sabe que em cada discurso a partir de agora, tem que falar da violência contra a mulher", afirmou o presidente, direcionando a responsabilidade para a figura masculina.

Em sua fala, o presidente também se dirigiu diretamente às mulheres presentes, aconselhando sobre a importância da independência financeira como forma de combater a perpetuação da violência por dependência econômica.

"Vocês não podem viver com alguém a troco de um prato de comida ou de um aluguel. Vocês têm que ser independentes. O homem não te respeita, se você for subserviente, se você ficar esperando que ele dê R$ 10 reais para comprar algo. É importante que o homem saiba que a mulher mora com ele porque gosta dele, não porque depende dele", disse Lula, incentivando a autonomia feminina.

O evento em Rio Grande, que contou com a presença do governador Eduardo Leite (PSD), celebrava o incentivo à indústria naval brasileira, mas a pauta social e o combate à violência contra a mulher foram um dos focos centrais do discurso presidencial.

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