O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração contundente nesta terça-feira (20) em um evento na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul: “Quem bate em mulher não precisa votar em mim”. A fala, que reforça o compromisso do seu governo em combater a violência doméstica e o feminicídio, veio a público justamente no dia em que o Brasil registrou um novo e triste recorde de feminicídios.
Durante a cerimônia de assinatura de contratos para a construção de navios no Estaleiro Ecovix, parte do Programa Mar Aberto, Lula enfatizou que a luta contra a violência contra a mulher é, antes de tudo, uma responsabilidade masculina.
"Quem tem que evoluir somos nós, homens. Portanto, eu assumi essa luta, estamos fazendo um pacto nacional contra a violência contra a mulher. E eu vou dizer o seguinte, quem bate em mulher, não precisa votar em mim", reiterou o presidente, sublinhando a gravidade da questão.
Recorde de feminicídios assombra o Brasil
A declaração de Lula ganha um peso ainda maior diante dos números divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ano de 2025 marcou o maior registro de feminicídios em uma década no Brasil, com pelo menos 1.470 ocorrências em todo o país. Esse dado supera as 1.459 mortes contabilizadas em 2024, representando um aumento de cerca de 0,41%.
É importante ressaltar que os números de 2025 ainda podem subir, já que alguns estados, como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, ainda não enviaram os dados completos referentes aos crimes de dezembro.
Homens como protagonistas na luta contra a violência
Lula deixou claro que a orientação do Palácio do Planalto é para que todos os seus ministros abordem o tema da violência contra a mulher em seus discursos futuros, transformando a pauta em um compromisso transversal do governo.
"Quem tem que lutar contra o feminicídio não é a mulher, é o homem. Ele que é agressivo. Cada ministro meu sabe que em cada discurso a partir de agora, tem que falar da violência contra a mulher", afirmou o presidente, direcionando a responsabilidade para a figura masculina.
Em sua fala, o presidente também se dirigiu diretamente às mulheres presentes, aconselhando sobre a importância da independência financeira como forma de combater a perpetuação da violência por dependência econômica.
"Vocês não podem viver com alguém a troco de um prato de comida ou de um aluguel. Vocês têm que ser independentes. O homem não te respeita, se você for subserviente, se você ficar esperando que ele dê R$ 10 reais para comprar algo. É importante que o homem saiba que a mulher mora com ele porque gosta dele, não porque depende dele", disse Lula, incentivando a autonomia feminina.
O evento em Rio Grande, que contou com a presença do governador Eduardo Leite (PSD), celebrava o incentivo à indústria naval brasileira, mas a pauta social e o combate à violência contra a mulher foram um dos focos centrais do discurso presidencial.







