Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Deputado aciona Justiça para barrar evento do MST com Lula em Salvador

Deputado Leandro de Jesus (PL) entrou com ação na Justiça para suspender encontro do MST em Salvador, alegando uso político de espaço público e falta de transparência, com Lula previsto no encerramento.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
20 de janeiro, 2026 · 21:11 3 min de leitura
Foto: Roberto Parizotti / CUT
Foto: Roberto Parizotti / CUT

O Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acontece no Parque de Exposições Agropecuárias em Salvador, na Bahia, virou alvo de uma ação judicial. O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) entrou com um pedido na Vara da Fazenda Pública da capital baiana para que o evento seja suspenso imediatamente.

Publicidade

O encontro do MST começou na segunda-feira (19) e está programado para terminar na sexta-feira (23). A polêmica aumentou ainda mais com a confirmação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva devem participar do encerramento. Segundo informações do jornal Estadão, nesta data, um ato de solidariedade à Venezuela também está previsto, com a presença de um representante da embaixada do país.

Deputado questiona uso de espaço público

Leandro de Jesus, conhecido por sua linha bolsonarista, argumenta que a Secretaria da Agricultura (Seagri) cedeu o espaço público de forma ilegal. Para o parlamentar, essa cessão vai contra as regras administrativas que impedem o uso de equipamentos como o Parque de Exposições para atividades que tenham um caráter político-partidário.

O deputado destaca que, em sua visão, o evento do MST tem uma natureza claramente político-ideológica, com uma série de plenárias e manifestações, além da participação de diversas autoridades nacionais. Ele reforça que o Parque de Exposições é, por sua destinação prioritária, um local para atividades agropecuárias. A cessão para outros tipos de eventos só deveria acontecer em caráter excepcional e se fossem compatíveis com o interesse público, o que, para ele, não é o caso atual.

Publicidade

Além disso, o parlamentar levanta dúvidas sobre a transparência do processo administrativo que autorizou o uso do parque. Ele aponta que requisitos importantes previstos na Instrução Normativa Conjunta Seagri/PGE nº 001/2019 não teriam sido cumpridos. Entre essas exigências estariam a apresentação de um projeto detalhado do evento, o pagamento de uma caução, um parecer técnico e a identificação clara de um responsável legal pela organização.

Para Leandro de Jesus, a utilização do Parque de Exposições dessa forma representa um “desvio de finalidade”. Segundo ele, o parque, que deveria impulsionar a agropecuária, está sendo transformado em “palco para manifestações político-ideológicas”, comprometendo a neutralidade da administração, especialmente em um ano eleitoral.

No documento enviado à Justiça, o deputado pede uma “tutela de urgência” para que o encontro seja paralisado imediatamente. Ele quer barrar, inclusive, os atos finais programados para o dia 23 de janeiro, quando o presidente Lula e a primeira-dama devem comparecer. A justificativa para a urgência é o risco de um “dano irreparável”, alegando que a continuidade do evento validaria o uso do patrimônio público para uma finalidade proibida.

Por fim, a ação também solicita que a Seagri e a administração do Parque de Exposições sejam notificadas para cumprir qualquer decisão judicial, com a aplicação de uma multa diária caso haja descumprimento. No mérito da ação, o deputado pede que o ato que autorizou o evento seja declarado nulo e que, se houver comprovação de prejuízos, o valor seja ressarcido ao erário público.

Leia também