O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, em uma entrevista concedida em Salvador, na Bahia, nesta sexta-feira (6), que a segurança pública é uma das principais preocupações do governo federal para o ano de 2026. Lula defendeu com entusiasmo a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que busca mudar a forma como o país combate o crime, integrando a ação de todos os níveis de governo: federal, estadual e municipal.
Segundo o presidente, essa medida é fundamental para criar um orçamento exclusivo para a segurança, garantindo que o governo federal possa enviar mais dinheiro aos estados. Ele explicou que, se a PEC for aprovada pelo Congresso, o próximo passo será criar um novo ministério focado nessa área, além de reforçar significativamente as forças policiais do país.
Mais dinheiro e mais policiais para a segurança
Lula destacou que a aprovação da PEC da Segurança Pública não só traria um novo ministério, mas também permitiria um aumento expressivo no número de policiais. O plano inclui dobrar a quantidade de delegados da Polícia Federal, ampliar a atuação da Polícia Rodoviária Federal e fortalecer a criação de uma Guarda Nacional.
"Se o Congresso Nacional aprovar a PEC, nós criaremos o ministério em seguida. A PEC é para definir qual é o papel da União na intervenção na segurança pública. Quando isso estiver definido, vamos precisar de um novo orçamento, dobrar o número de delegados da Polícia Federal, ampliar a Polícia Rodoviária Federal e fortalecer uma Guarda Nacional. Por isso, a Operação Carbono Oculto é tão importante: nós chegamos aos magnatas da corrupção", disse o presidente à TV Aratu, durante a entrevista.
Atualmente, o Fundo Nacional de Segurança Pública, que é federal, conta com cerca de R$ 2 bilhões. No entanto, estados como a Bahia gastam entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões apenas com segurança. Lula deixou claro que, para o governo federal participar de forma mais ativa, é preciso um orçamento especial, com "muito dinheiro", para que as ações sejam efetivas na prática.
"Prender e combater o narcotráfico é tudo o que eu quero. Quero aprovar essa PEC para mudar a segurança pública do país, para que o governo federal não seja apenas um repassador de pequenos recursos. Se o governo federal vai entrar nessa questão, precisa de um orçamento especial, com muito dinheiro, para que a intervenção seja teórica e prática ao mesmo tempo", afirmou Lula, reforçando seu compromisso.
Resistência de alguns estados e parceria com o Nordeste
O presidente também comentou sobre a resistência de alguns governadores e políticos da oposição à proposta. Ele explicou que, enquanto todos os governadores da região Nordeste concordaram com a PEC, outros estados, como Goiás, São Paulo e Minas Gerais, não querem que o governo federal tenha uma atuação mais forte na segurança pública local.
Apesar disso, Lula enfatizou que a intenção da PEC é que o governo federal participe ativamente, em parceria com os governos estaduais, da segurança pública, criando um orçamento novo para investir "dinheiro de verdade" nessa área vital para o país.







