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Política

Lula critica Trump e cobra reforma da ONU em defesa do multilateralismo

Em Salvador, Lula critica Trump, defende multilateralismo e cobra reforma da ONU para evitar a 'lei do mais forte', revelando diálogo com líderes globais.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
23 de janeiro, 2026 · 22:28 3 min de leitura
Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Notícias
Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez fortes críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu, de forma contundente, uma reforma urgente na Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo, segundo Lula, é garantir que o multilateralismo prevaleça no cenário global, evitando a “lei do mais forte”. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (23), durante as celebrações do aniversário do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizadas no Parque de Exposições, em Salvador, na Bahia.

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Para o presidente brasileiro, o modelo atual de relações internacionais está em risco. Ele afirmou que o “multilateralismo está sendo jogado fora”, dando espaço para o unilateralismo. Lula expressou preocupação com a ideia de Trump de “criar uma nova ONU”, onde ele, sozinho, se colocaria como o “dono” da entidade.

"O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, ou seja, está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada, e ao invés da gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003, reforma da ONU. O que está acontecendo? O presidente Trump está fazendo a proposta de criar uma nova ONU e que ele, sozinho, é o dono da ONU", disse Lula, em seu discurso na capital baiana.

Diante desse cenário, Lula revelou que está empenhado em uma série de diálogos com diversas lideranças políticas mundiais. Nos últimos dias, o presidente brasileiro intensificou seus contatos telefônicos com chefes de Estado ao redor do mundo. A meta é clara: agendar uma reunião que possa “impedir a predominância da força da arma e intolerância” e assegurar o direito ao multilateralismo.

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"Eu estou há uma semana telefonando para todos os países do mundo, já falei com muitos países. Conversei com Putin, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Índia, com o presidente da Hungria. Tentando encontrar uma forma de se reunir, e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão para que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer bem do mundo", detalhou o presidente.

Ainda em seu pronunciamento, Lula fez questão de ressaltar a posição independente do Brasil na política externa. Ele deixou claro que o país “não tem preferência de relação” com nenhuma nação específica. O Brasil busca manter laços com todos os países, desde os Estados Unidos até a China, Rússia, Índia e Cuba, sem distinções. O ponto inegociável, segundo o presidente, é que o Brasil não aceita “voltar a ser colônia”.

"O Brasil não tem preferência de relação, o Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, o Brasil quer ter relação com Cuba, o Brasil quer ter relação com a China, o Brasil quer ter relação com a Índia, o Brasil quer ter relação com a Rússia, a gente não tem preferência, o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia", completou Lula, reforçando a soberania brasileira.

O discurso de Lula na Bahia reforça a preocupação crescente com a ordem mundial e a necessidade de cooperação entre as nações, em um momento de tensões geopolíticas. A defesa do multilateralismo e a cobrança por uma ONU mais representativa são pilares da atual política externa brasileira, buscando um equilíbrio que promova a paz e o desenvolvimento global.

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