O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo estuda a recompra da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada na Bahia e atualmente administrada pela Acelen. A declaração foi dada em entrevista à Record Bahia, na qual o presidente voltou a criticar a venda da unidade, realizada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, pela Petrobras ao fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi.
Segundo Lula, a intenção de retomar a refinaria está ligada à estratégia de ampliar a capacidade nacional de refino e reduzir a dependência externa na compra de combustíveis, especialmente do óleo diesel. De acordo com o presidente, a refinaria baiana estaria operando abaixo do potencial que poderia alcançar, o que, na avaliação dele, reforça a necessidade de retorno da unidade à Petrobras. Na entrevista, Lula afirmou que o Brasil produz cerca de 70% do óleo diesel que consome e importa os 30% restantes, o que submete parte do abastecimento ao preço do mercado internacional e, consequentemente, à necessidade de reajustes.
Ao comentar o cenário externo, Lula relacionou a discussão sobre combustíveis aos efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O presidente classificou a guerra como “irresponsável” e disse que o governo federal busca evitar que a alta internacional dos preços tenha impacto direto sobre o custo de vida da população brasileira. Segundo ele, a preocupação é impedir que os reflexos do mercado externo atinjam produtos do dia a dia e também o bolso de caminhoneiros e consumidores.
Ainda durante a entrevista, Lula declarou que o governo está adotando medidas de fiscalização para conter aumentos considerados indevidos. De acordo com o presidente, há um processo de fiscalização em andamento no país, com atuação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal para investigar distribuidoras. Na fala, ele afirmou que há agentes econômicos elevando preços sem justificativa e que o governo está acompanhando a situação.
As declarações reforçam a posição do presidente em defesa de maior presença estatal no setor de refino de petróleo e inserem o debate sobre a Rlam em um contexto mais amplo de abastecimento, política de preços e impacto de tensões internacionais sobre a economia brasileira. Até o momento, conforme o conteúdo apresentado, Lula afirmou que o tema está em estudo, sem detalhar prazos ou eventuais condições para uma possível recompra da refinaria.







