Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Política

Lideranças do comércio de Feira de Santana alertam para risco de demissões após fim da taxa das blusinhas

Presidente do Sicomércio e da CDL feirense denunciam concorrência desleal das plataformas internacionais e apontam setores de vestuário e beleza como os mais ameaçados.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
23 de maio, 2026 · 08:46 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

O fim da chamada "taxa das blusinhas" chegou com festa para o consumidor, mas provocou reação imediata de lideranças do setor varejista de Feira de Santana. Presidentes do Sicomércio e da CDL municipal foram a público classificar a medida como um retrocesso que aprofunda a desigualdade entre o comércio local e as gigantes do e-commerce internacional.

Publicidade

A medida, assinada pelo presidente Lula, elimina o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. No entanto, o pagamento do ICMS foi mantido, e o consumidor continuará pagando o imposto estadual, que varia entre 17% e 20%. Na prática, plataformas como Shopee, Shein e AliExpress voltam a operar com preços mais competitivos frente às lojas físicas brasileiras.

Segundo informações divulgadas pelo Acorda Cidade, o presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio), Marco Silva, disse que a decisão federal cria um ambiente de disputa desigual entre as empresas físicas locais e os e-commerces estrangeiros, que voltam a operar sem a obrigatoriedade de recolher o tributo federal. Para ele, a questão eleitoral teria se sobreposto à proteção do emprego e da indústria nacional.

Marco Silva afirmou que o problema não é o barateamento dos produtos em si, mas a assimetria tributária: os lojistas locais seguem pagando todos os encargos nacionais, enquanto as plataformas estrangeiras ganham nova vantagem. Ele aponta que os setores de vestuário e calçados são os mais expostos, e que o Feiraguai — polo de comércio popular e gerador de empregos na cidade — também pode ser prejudicado.

Publicidade

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Feira de Santana, Juscelino Brito, seguiu na mesma linha, classificando a extinção da taxa como prejudicial ao equilíbrio do mercado. De acordo com informações do Acorda Cidade, Brito destacou que o custo de operação de uma loja física — incluindo aluguel, folha de pagamento, impostos e encargos — é incomparável ao de um e-commerce internacional. O resultado, segundo ele, seria uma redução direta nas margens de lucro dos lojistas feirenses.

O cenário em Feira de Santana dialoga com o que entidades nacionais também estão denunciando. Para a CNI, o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas e poderá provocar perda de empregos. A Abit classificou a revogação como "extremamente equivocada", e a Abvtex disse "repudiar com veemência" o fim da tributação.

Segundo o setor, uma vez criada a tributação sobre compras internacionais, o varejo registrou a abertura de 107 mil empregos no primeiro ano, além de aumento de investimentos e produtividade. De acordo com o IDV, a medida pode provocar queda na reposição de estoques, afetar a indústria nacional e levar ao fechamento de fábricas ou transferência de produção para países vizinhos.

Sem a tributação, abre-se uma diferença de custo de até 16,5% entre o varejo brasileiro e as plataformas estrangeiras, dependendo da composição tributária. A flexibilização da taxa preocupa o setor justamente quando pequenos e médios lojistas operam com margens apertadas e pouca capacidade de absorver novos impactos competitivos.

A revogação da "taxa das blusinhas" vinha sendo discutida há alguns meses dentro do governo federal, e a ala política da gestão defendia que o imposto era impopular e impactava negativamente a aprovação do presidente Lula. No entanto, setores econômicos do governo estavam resistentes à isenção tarifária por conta da perda de arrecadação e da pressão da indústria nacional.

Para os representantes do comércio feirense, o momento é especialmente delicado: segundo o Sicomércio, o impacto já estava sendo sentido às vésperas do São João, com consumidores migrando para sites internacionais na hora de comprar roupas, calçados e acessórios para as festas — produtos que movimentam fortemente o varejo regional nesta época do ano.

Leia também