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Política

Larry Sanger acusa Wikipédia de viés; Musk e Ted Cruz apoiam

Larry Sanger acusa viés na Wikipédia e apresenta as 'Nove Teses'; Musk e Ted Cruz apoiam, e a Câmara dos EUA abriu investigações sobre a plataforma.

Redação ChicoSabeTudo
26 de outubro, 2025 · 19:16 3 min de leitura
Plataforma acompanha a troca de acusações (Imagem: DennisF/Shutterstock)
Plataforma acompanha a troca de acusações (Imagem: DennisF/Shutterstock)

Uma discussão sobre suposto viés na Wikipédia voltou a ganhar atenção pública nas últimas semanas. A polêmica começou quando o cofundador Larry Sanger acusou a enciclopédia de inclinação liberal e lançou uma campanha pedindo mudanças. A iniciativa recebeu apoio de nomes como o empresário Elon Musk, o senador Ted Cruz, do Texas, e o comentarista Tucker Carlson. Musk disse que a empresa xAI está desenvolvendo uma alternativa chamada Grokipédia, apelidada por ele de “uma melhora massiva”.

As acusações de Sanger

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Larry Sanger, que deixou a Wikipédia em 2001, afirmou que a plataforma passou a ser mal administrada e que seus mecanismos de autocorreção não funcionam como antes. Ele usou uma imagem forte para resumir sua visão: “um ônibus desgovernado descendo a estrada e atropelando pessoas inocentes”, disse Sanger.

Entre as críticas, Sanger apontou como certos temas são tratados — por exemplo, crime, religião e mudanças climáticas — e questionou a lista de fontes que a enciclopédia classifica por confiabilidade. Ele afirmou que jornais conservadores, como o New York Post e o Daily Mail, aparecem entre veículos desencorajados, e citou o artigo sobre “Yahweh” como exemplo de um tratamento mais histórico do que religioso em tópicos sensíveis.

Propostas: as “Nove Teses”

Para tentar mudar a situação, Sanger divulgou as chamadas “Nove Teses”. Entre as propostas estão:

  • reforçar políticas de neutralidade;
  • tornar público quais editores têm mais influência;
  • acabar com listas negras de fontes.
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Ele também incentivou conservadores a se tornarem editores ativos para revisar artigos polêmicos e reforçou que “nada nos impede” de fazê-lo.

Defesas e respostas da comunidade

Do outro lado, houve defesas públicas da enciclopédia. A pesquisadora Amy Bruckman, da Georgia Tech, disse que os críticos estavam “gritando contra a verdade”. A diretora-executiva da Wikimedia Foundation, Maryana Iskander, afirmou que a maior parte do conteúdo é neutra e factual e declarou que “não existe viés na Wikipédia se [a pessoa] entende como ela funciona”.

O cofundador Jimmy Wales disse estar aberto a melhorias, mas rejeitou a ideia de que todas as fontes deveriam ter o mesmo peso editorial: “Claramente não tratamos sites aleatórios como iguais ao New England Journal of Medicine e isso é normal”, afirmou.

Desdobramentos políticos e institucionais

O caso também ganhou contornos políticos. O senador Ted Cruz enviou uma carta aberta à Wikimedia Foundation cobrando explicações sobre o que chamou de “bias ideológico”. Além disso, republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara dos EUA abriram, em agosto, uma investigação sobre possíveis manipulações na plataforma envolvendo pessoas ligadas a governos estrangeiros.

No plano pessoal, Sanger disse ter se convertido ao cristianismo e afirmou ter votado em Donald Trump nas eleições de 2024. Enquanto isso, Musk continuou a promover a alternativa da xAI.

Como desdobramentos confirmados até agora, foram abertas investigações pela Comissão de Supervisão da Câmara, enviadas cobranças formais à Wikimedia Foundation e anunciado o desenvolvimento da Grokipédia pela xAI como concorrente à enciclopédia estabelecida.

O que vem a seguir ainda é incerto: as investigações e debates sobre governança e transparência devem continuar, e a disputa entre defender o modelo atual ou criar alternativas promete seguir no centro das atenções.

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