A Justiça do Paraguai decretou no sábado (7) a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, um dia após seu afastamento por impeachment. Ele é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas ao Ueno Bank, cuja crise provocou protestos e deixou clientes sem acesso a depósitos.
Segundo o Bahia Notícias e a revista Veja, a decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú, que considerou haver risco de fuga. O ex-presidente deverá ficar no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção. De acordo com a Veja, ele havia sido detido na sexta-feira (6), após deixar a Presidência.
A defesa contesta a prisão e afirma que não há elementos que indiquem risco de fuga ou tentativa de obstruir as investigações. A medida foi solicitada pelo Ministério Público paraguaio.
Conforme o Bahia Notícias, os promotores investigam suspeitas de lesão de confiança e administração em proveito próprio. Para o Ministério Público, Peña teria favorecido o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, e se omitido na fiscalização da instituição pelo Banco Central. A apuração também examina uma possível interferência no órgão responsável por recursos de aposentadoria e saúde dos trabalhadores.
Os promotores pediram ainda o bloqueio de contas, investimentos e outros ativos do ex-presidente, além de diligências para localizar imóveis, veículos e participações societárias. Segundo o Bahia Notícias, o banco mantinha quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo verbas da Previdência.
A instituição tinha cerca de 2,9 milhões de clientes antes da crise. O caso ampliou a pressão política sobre Peña, que perdeu apoio de integrantes do próprio Partido Colorado.
Após o impeachment, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o governo na sexta-feira. Na posse, prometeu indenizar clientes prejudicados, com prioridade para os de menor renda. O Banco Central informou que quase 1,2 milhão de correntistas já haviam recebido parte dos depósitos e que os pagamentos continuariam na semana seguinte.







