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Política

Justiça da Bahia nega pedido contra Claudia Leitte por intolerância religiosa

Justiça da Bahia nega liminar contra Claudia Leitte em ação por intolerância religiosa, que a acusava de alterar letra sobre Iemanjá para Yeshua.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
29 de janeiro, 2026 · 20:36 3 min de leitura
Durante show em Salvador, Claudia Leitte fez discurso para fãs e mandou recado em meio a polêmicas.
Durante show em Salvador, Claudia Leitte fez discurso para fãs e mandou recado em meio a polêmicas.

A cantora Claudia Leitte conquistou uma importante vitória preliminar na Justiça da Bahia. Um pedido de tutela de urgência, feito em uma ação movida pelo Ministério Público (MP-BA) que a acusa de intolerância religiosa, foi negado. A decisão mais recente, confirmada pelo MP-BA ao Ibahia nesta quinta-feira (29), representa um alívio temporário para a artista, que segue confirmada no Carnaval de Salvador em 2026.

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O caso ganhou destaque depois que a ex-técnica do “The Voice Brasil” alterou a letra da música ‘Caranguejo’ durante um show em 2024. No lugar do nome da divindade do orixá Iemanjá, Claudia Leitte cantou “Yeshua”, termo que se refere a Jesus em hebraico. Essa mudança gerou uma série de críticas e culminou na ação judicial, que busca uma indenização de R$ 2 milhões por dano moral coletivo.

A denúncia foi formalizada pela Yalorixá Jaciara Ribeiro, sacerdotisa do Ilê Axè Abassa de Ogum, e também pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO). Apesar da acusação séria, o Ministério Público esclareceu que a decisão judicial atual se refere apenas ao pedido de liminar. “Foi julgado apenas o pedido de liminar, ainda não houve julgamento do mérito”, informou o órgão.

Na análise do caso, a juíza responsável destacou que, até o momento, não foram apresentados elementos suficientes que comprovem de forma irrefutável a prática de intolerância religiosa. Um trecho da decisão, ao qual o Ibahia teve acesso, explica essa posição:

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“Dessa forma, nada obsta que o pleito possa ser revisto, após o contraditório e iniciada a fase probatória, depois de colhidos outros elementos que permitam a formação de um juízo seguro acerca dos fatos. Nesse contexto e, não se evidenciando, por ora, os requisitos exigidos pelo art.300 e ss, do CPC, indefiro o pedido de tutela provisória de urgência formulado na exordial.”

Isso significa que o processo continuará, com a fase de coleta de provas e depoimentos, e a decisão final sobre o mérito da acusação ainda será tomada. Para Claudia Leitte, a decisão provisória permite que ela mantenha seus compromissos futuros. Ela vai comandar os blocos Blow Out e Largadinho, além de realizar apresentações em camarotes privados no Carnaval de 2026, que terá o tema “Especiarias”.

Críticas e a importância da educação racial

O episódio de mudança na letra da música não passou despercebido por personalidades influentes. A cantora e atual Ministra da Cultura, Margareth Menezes, criticou publicamente a atitude de Claudia Leitte. Em entrevista à Revista Veja, Margareth fez uma reflexão mais ampla sobre a necessidade de educação racial no Brasil.

“Precisamos de educação racial no Brasil. Esse episódio é mais um de desrespeito às matrizes africanas. A intolerância religiosa precisa ser tratada com a dimensão que ela tem. As simbologias de religiões como candomblé e umbanda são frequentemente alvo de ataques danosos. Em um país democrático, deve-se respeitar o direito de crença e expressão”, disse a ministra.

É importante lembrar que esta não é a primeira vez que Claudia Leitte se envolve em polêmica por alterar a letra de músicas. O Ministério Público já recebeu denúncias anteriores acusando-a de racismo religioso por conta de mudanças similares. O caso continua em andamento e novas informações devem surgir à medida que o processo avança na Justiça.

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