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Política

Judiciário gasta R$ 454 mil em diárias para segurança em resort ligado a Toffoli

Judiciário gastou mais de R$ 454 mil em diárias de seguranças para ministros do STF em resort no Paraná ligado a Dias Toffoli, gerando questionamentos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
22 de janeiro, 2026 · 21:21 3 min de leitura
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Judiciário gastou mais de R$ 454 mil em diárias para funcionários que deram apoio a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no município de Ribeirão Claro, no Paraná. O destino desses servidores era uma cidade onde fica o resort Tayayá, que tem ligações conhecidas com o ministro Dias Toffoli.

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As despesas, registradas desde dezembro de 2022, vieram à tona nesta quinta-feira (22), através de informações do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), divulgadas primeiramente pelo jornal Folha de S. Paulo. Os registros do TRT-2 justificam os deslocamentos com a finalidade de “prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do Supremo Tribunal Federal” na cidade paranaense. Contudo, os documentos não especificam qual ministro do STF foi atendido em cada uma das cerca de 150 ocasiões.

Em cada viagem, uma equipe composta por quatro ou cinco funcionários do TRT-2 era encarregada da segurança e do transporte. Para deslocamentos mais longos, como em períodos de férias ou recessos do Judiciário, o tribunal enviava uma nova equipe para substituir os agentes que estavam no local. Essas viagens aconteciam com mais frequência em datas como o Carnaval, o mês de julho e o fim do ano.

A ligação do resort Tayayá com o ministro Toffoli é um ponto central da discussão. Segundo o jornal Metrópoles, os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio, dividiram o controle do resort com o fundo de investimentos Arleen. Este fundo, por sua vez, faz parte de uma complexa rede financeira criada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O Arleen adquiriu cotas de empresas ligadas aos irmãos e a um primo de Toffoli em 2021. O fundo Arleen era propriedade de outro fundo, o Leal, que, conforme o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Apesar de a propriedade ter sido vendida em 2025, funcionários do resort contaram que Toffoli passou o feriado de Réveillon no Tayayá e que o ministro ainda mantém uma casa no local.

Toffoli e encontros com empresários

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O resort Tayayá também foi palco de encontros importantes envolvendo o ministro Toffoli. Em 25 de janeiro de 2023, imagens obtidas pela coluna Andreza Matais mostraram Toffoli aguardando convidados em uma área reservada dos jardins do resort. Um vídeo registrou a aterrissagem de uma aeronave no heliponto, de onde desceram dois homens:

  • Primeiro, o empresário Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame.
  • Minutos depois, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.

O vídeo, divulgado pelo Bahia Notícias, mostra Toffoli cumprimentando Pastore com um abraço e um beijo no rosto. Em seguida, André Esteves sai da aeronave e é cumprimentado com um aperto de mão e um abraço pelo ministro. Posteriormente, Esteves e Toffoli apareceram em uma roda de conversa, com copos de bebida na mão.

A relação entre o ministro e os empresários ganhou destaque novamente em novembro do ano passado, quando Toffoli viajou para assistir à final da Copa Libertadores, no Peru. Ele estava acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho. A aeronave usada pela dupla, um jatinho, pertencia a Luiz Pastore.

Essa viagem levantou questionamentos sobre a imparcialidade do ministro para julgar investigações que envolvem o Banco Master, visto que Augusto de Arruda Botelho é advogado de defesa de Antonio Bull, um ex-diretor do Banco Master. Procurada, a assessoria do Supremo Tribunal Federal não se manifestou sobre as informações divulgadas.

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