O militante comunista, comunicador e historiador Jones Manoel, figura conhecida por suas análises políticas que viralizam nas redes sociais, não poupou críticas ao atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista recente, Jones, que já morou e trabalhou em Juazeiro, na Bahia, descreveu a gestão de Jerônimo como uma verdadeira "tragédia" para o estado.
Para ele, o petista não tem "brilho próprio" e apenas dá continuidade ao que considera um péssimo governo do ex-governador e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Jones Manoel, que hoje reside em Pernambuco, fez questão de ressaltar sua experiência anterior como funcionário público no estado baiano para embasar suas colocações.
"Eu acho que o governo Jerônimo é uma tragédia. Ele é uma continuidade do governo Rui Costa, que foi um péssimo governo para a Bahia. O governador Rui Costa foi um inimigo dos serviços públicos, foi alguém que atuou para precarizar os serviços públicos, inclusive prejudicando o plano de cargos e carreiras, por exemplo, da educação", afirmou Jones.
As críticas se aprofundam ao lembrar que a gestão de Rui Costa resultou em um dos piores desempenhos para a Bahia no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Dados de 2023 mostram o estado entre os quatro piores do Brasil nesse quesito, algo que Jones Manoel atribui à falta de um projeto consistente para a área.
Ao comentar sobre Jerônimo Rodrigues, Jones destacou a ausência de uma "marca própria" na sua gestão. Segundo o militante, o governo atual mantém os elementos mais problemáticos da gestão anterior, sem apresentar soluções reais para desafios históricos da Bahia.
"Uma das consequências disso é que a Bahia tem um dos Idebs mais baixos do Brasil. Foi um governo privatista, um governo que atacou as empresas públicas, buscando fragilizá-las; um governo que não tem política real para a transformação urbana da Bahia, para enfrentar o déficit de moradia, para reduzir as desigualdades regionais, para enfrentar a violência policial e o crime organizado, para resolver os problemas da Bahia na educação, na saúde, no meio ambiente e na cultura. E o governo Jerônimo é a continuidade disso, e é uma continuidade que parece pior, porque Jerônimo não tem brilho próprio, com todo respeito à sua biografia pregressa. Parece uma coisa meio 'poste', sem iniciativa própria, sem marca própria, e todos os elementos mais desastrosos do governo Rui Costa continuam aí. Falta um projeto realmente transformador de esquerda para a Bahia", avaliou ele.
Entre os pontos de atenção, Jones mencionou a situação da Bahiagás. Apesar da promessa do governador Jerônimo de não privatizar a empresa – a segunda maior de gás natural do Brasil –, o projeto de lei que autoriza sua venda continua ativo. A privatização, segundo ele, só não aconteceu por conta da forte resistência dos trabalhadores, que se organizaram em defesa da companhia.
A segurança pública é outra área que preocupa Jones Manoel. Ele criticou a manutenção de uma política de segurança que considera "igual a de qualquer governo de direita", sem compromisso com reformas agrárias ou a preservação ambiental. O impacto dessas políticas é visível até mesmo em eventos culturais marcantes, como o Carnaval da Bahia.
"O Carnaval da Bahia, por exemplo, cada vez mais padece de episódios de camarotização e de violência policial. Inclusive, o Carnaval da Bahia está ficando mal falado nacionalmente, porque todos os anos circulam vídeos e mais vídeos de todo tipo de violência que você possa imaginar. Então, a gente classifica como um governo muito ruim", pontuou o historiador.
Contudo, Jones Manoel foi enfático ao afirmar que, apesar das fortes críticas ao governo petista, o ex-prefeito de Salvador e principal nome da oposição, ACM Neto, não representa uma alternativa viável para a Bahia. Para o militante, existe uma "falsa polarização" entre os dois grupos, já que, em sua visão, tanto PT quanto os herdeiros de Antônio Carlos Magalhães têm o mesmo projeto para o estado.
"Deixando claro que a crítica ao governo Jerônimo não significa que ACM Neto seja alternativa. Inclusive, ACM Neto e o PT têm o mesmo projeto de Bahia. A diferença é quem está no governo se apropriando do dinheiro público. A família Antônio Carlos Magalhães já teve tempo demais para destruir a Bahia. É preciso fugir dessa falsa polarização entre petistas e herdeiros do velho Antônio Carlos Magalhães, porque isso não trouxe, nas últimas décadas, avanços significativos para a Bahia", concluiu ele, reforçando a necessidade de um projeto verdadeiramente transformador para a Bahia.







