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Política

ICE contrata US$ 1,4 bi em IA e vigilância para rastrear imigrantes

ICE contratou US$ 1,4 bi em IA e vigilância: reconhecimento facial, drones e spyware, além de centro para monitorar redes sociais; há preocupações sobre direitos civis.

Redação ChicoSabeTudo
18 de outubro, 2025 · 19:24 2 min de leitura
Ataques contra agentes do ICE cresceram mais de 1.000% (Imagem: Lawrey/iStock)
Ataques contra agentes do ICE cresceram mais de 1.000% (Imagem: Lawrey/iStock)

Em setembro, a agência de imigração dos Estados Unidos, ICE, contratou US$ 1,4 bilhão em ferramentas de inteligência artificial e vigilância para localizar imigrantes sem documentação e monitorar ativistas, segundo reportagem do Washington Post. Foi o maior gasto mensal registrado em pelo menos 18 anos.

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Os contratos, fechados nos últimos meses, reúnem desde reconhecimento biométrico até drones e um centro dedicado a monitorar redes sociais. A agência diz que as aquisições servem para apoiar investigações criminais e a segurança pública.

As ferramentas contratadas

  • Clearview AI — software de reconhecimento facial para identificar pessoas a partir de fotos e vídeos;
  • BI2 Technologies — aplicativo de escaneamento de íris para checagens de identidade em campo;
  • Paragon Solutions (Graphite) — ferramenta para acessar mensagens, fotos e dados de localização em smartphones;
  • Palantir (ImmigrationOS) — plataforma de rastreamento usada para monitorar imigrantes e potenciais autodeportações;
  • Skydio X10D — drones empregados para filmar manifestações e operações de campo;
  • Penlink (Tangles e Weblocs) — sistemas de análise que cruzam redes sociais, trechos da dark web e rastreamento de celulares;
  • um centro de monitoramento de redes sociais para identificar e localizar ativistas.

“A agência emprega várias tecnologias para investigar atividades criminosas”, disse um porta‑voz do ICE.

O reforço tecnológico ocorreu em um momento político tenso. No final de setembro, o então presidente Donald Trump declarou o movimento “Antifa” como organização terrorista doméstica, após confrontos em Dallas, no Texas, e cobrou ações das agências federais. Em entrevista ao podcast de Glenn Beck, o diretor interino do ICE, Todd M. Lyons, afirmou: “Temos alguns dos melhores agentes especiais e investigadores criminais. Vamos rastrear o dinheiro. Vamos rastrear os líderes”.

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Críticos e legisladores expressaram preocupação com a abrangência dessas aquisições. O senador Ron Wyden, do Oregon, alertou que o uso de spyware e drones poderia violar direitos civis e ser empregado para perseguir adversários políticos. A Casa Branca, por meio da porta‑voz Abigail Jackson, afirmou que certas organizações “têm alimentado tumultos violentos, organizado ataques contra policiais, coordenado […] campanhas ilegais de doxxing, pontos de entrega de armas e materiais para protestos e muito mais”.

A reportagem não mencionou decisões judiciais ou audiências futuras relacionadas aos novos contratos. A expansão do uso de inteligência artificial e de ferramentas de vigilância pelo ICE intensificou o debate sobre tecnologia, direitos civis e transparência das autoridades. Até que ponto tecnologias tão invasivas conseguem, ao mesmo tempo, proteger a segurança pública e preservar liberdades individuais?

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