O governo da Holanda anunciou, nesta quarta-feira (19), a suspensão da intervenção na fabricante de chips Nexperia, restabelecendo o controle da empresa para a chinesa Wingtech Technology. Essa decisão encerra um impasse de seis semanas que afetou o fornecimento de semicondutores e impactou a cadeia global de produção de veículos.
Vincent Karremans, ministro da Economia da Holanda, chamou a reversão de medida de intervenção de "gesto de boa vontade", após "conversas construtivas" com autoridades chinesas. A Nexperia, com sede em Nijmegen, é uma produtora europeia de chips essenciais para diversos sistemas de automóveis modernos.
As dificuldades surgiram em 30 de setembro, quando o governo holandês usou a Lei de Disponibilidade de Bens para intervir na empresa, com a justificativa de proteger a segurança econômica nacional. A intervenção gerou uma rápida resposta da China, que suspendeu temporariamente as exportações de chips fabricados pela Nexperia, causando interrupções significativas na indústria automotiva global.
Com o retorno do controle à Wingtech, o ministro Karremans declarou que a empresa não demonstra mais intenção de repetir comportamentos que levaram à intervenção. Além disso, as autoridades chinesas aparentemente estão permitindo que empresas da Europa e de outras regiões retomem as exportações de chips da Nexperia. Contudo, a Holanda continuará a monitorar a situação, mantendo o direito de reinstituir a intervenção caso ocorram novos riscos à propriedade intelectual ou ativos da empresa.
A situação chamou a atenção para a dependência global da indústria automotiva em relação a chips, com montadoras como Mercedes-Benz, Stellantis e Volkswagen tendo que reavaliar seus cronogramas de produção. No Brasil, a perda de suprimentos da Nexperia seria diretamente sentida, levando a Anfavea a alertar sobre uma possível escassez. Medidas diplomáticas entre os governos também foram acionadas, resultando em compromissos para manter o fornecimento de semicondutores ao país.
Finalmente, a desescalada no conflito entre a Holanda e a China acompanha um cenário mais amplo de negociações comerciais globais, sinalizando uma movimentação diplomática essencial para a recuperação da cadeia produtiva. Entretanto, as tensões internas na Nexperia continuam, com conflitos de gestão em seus níveis mais altos.







