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Política

Hilton Coelho (PSOL) Descarta Federação com PT, Mas Vê Unidade Contra Extrema-Direita

O deputado Hilton Coelho (PSOL) descarta uma federação com o PT para 2026, apesar de ver importância na união contra a extrema-direita. Ele cita diferenças programáticas e estruturais, mesmo com a proposta do PT.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
13 de dezembro, 2025 · 03:10 2 min de leitura
Foto: Leonardo Almeida / Bahia Notícias | Reprodução / AL-BA
Foto: Leonardo Almeida / Bahia Notícias | Reprodução / AL-BA

O deputado estadual Hilton Coelho, do PSOL, jogou um balde de água fria na ideia de uma federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. Apesar de reconhecer a importância de unir forças contra a extrema-direita, o parlamentar, em entrevista ao Bahia Notícias, apontou “limites estruturais e programáticos” que tornam essa união improvável.

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A discussão sobre uma possível federação ganhou força depois que o diretório nacional do PT fez uma proposta oficial ao PSOL. A ideia é que o partido se junte à já existente Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), que hoje inclui PT, PCdoB e PV. Segundo a CNN, essa movimentação faz parte de uma estratégia do partido do presidente Lula para construir uma grande coalizão de centro-esquerda, com planos de convidar também o PSB e o PDT.

Para Hilton Coelho, mesmo com a “sinalização positiva” vinda de setores petistas, as diferenças entre as duas legendas são muito grandes para uma unificação. Ele enfatizou a necessidade de união na prática, especialmente no combate à extrema-direita.

“É importante destacar elementos de unidade, na prática, na luta política cotidiana, especialmente o enfrentamento à extrema-direita, onde precisa ser feito de maneira vigorosa”, afirmou o deputado estadual Hilton Coelho, na Bahia.

No entanto, a viabilidade de uma federação formal é outra história. O deputado do PSOL argumenta que, além da “situação momentânea, que é grave”, existem divergências profundas nas “formulações estratégicas” dos partidos. Ele acredita que uma federação criaria uma “situação de artificialidade” e “posições bastante diferenciadas no cotidiano” das decisões políticas.

“Eu não acredito ser possível um processo de unificação, porque para além dessa situação momentânea, que é grave, nós temos também diferenças importantes com as elaborações mais estratégicas do PT”, explicou Hilton. “Causaria uma situação de artificialidade na hora de fazer uma intervenção prática. Nós poderemos ter posições bastante diferenciadas no cotidiano”.

Uma história de divergências e convergências

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As raízes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) remontam a um rompimento histórico com o PT. Fundado em 2005, o PSOL surgiu após a expulsão de membros do PT em 2003, incluindo a senadora Heloísa Helena e os deputados João Fontes, Luciana Genro e João Batista de Araújo (Babá). A expulsão aconteceu depois que esses parlamentares votaram contra a reforma da previdência do governo petista, mostrando uma clara fissura ideológica.

Apesar dessa origem conturbada e das diferenças programáticas apontadas por Hilton Coelho, os partidos hoje compartilham alguns espaços. O PSOL tem membros ocupando cargos importantes no governo Lula, como o deputado federal Guilherme Boulos, que está licenciado para atuar como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e Sônia Guajajara, atual ministra dos Povos Indígenas. Isso mostra que, mesmo sem uma federação formal, existe uma convivência e colaboração pragmática em certas áreas.

Hilton Coelho reforçou que valoriza o gesto do PT, mas se mantém cético quanto à concretização da proposta. “Valorizo essa sinalização, mas não acho viável que essa federação entre PT e PSOL se viabilize na prática”, concluiu o deputado.

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