O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta quinta-feira (29/1) que deixará o comando da equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mês de fevereiro. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, conduzida pelo colunista Igor Gadelha e pela apresentadora Natália André.
A saída, que vinha sendo especulada nos bastidores de Brasília, marca o fim de um ciclo na gestão econômica e ocorre em um momento de definições estratégicas para o Partido dos Trabalhadores visando as eleições gerais de outubro.
Cronograma e Viagem à Índia
Embora Haddad tenha evitado cravar o dia exato da exoneração, ele indicou que o desligamento ocorrerá após compromissos internacionais. O ministro integrará a comitiva presidencial em viagem oficial a Nova Delhi, na Índia, programada para ocorrer entre os dias 19 e 21 de fevereiro, logo após o feriado de Carnaval.
"Eu não posso dar uma data sem combinar com o presidente, mas ele está informado que deixo o governo em fevereiro, com certeza", afirmou o ministro durante a entrevista.
Anteriormente, havia a expectativa — sinalizada pelo próprio ministro — de que a saída ocorresse ainda no final de janeiro, motivada por "questões pessoais". No entanto, a agenda diplomática na Ásia adiou o cronograma, devendo a troca de comando na Fazenda ser oficializada apenas na última semana do próximo mês.
Impasse Político: Candidatura ou Bastidores
A saída de Haddad do ministério expõe um impasse entre os desejos pessoais do ministro e as pressões partidárias. Haddad reiterou sua intenção de se afastar de cargos públicos para atuar na coordenação e nos bastidores da campanha de reeleição do presidente Lula. Na semana passada, ele já havia declarado que não havia uma decisão tomada sobre seu futuro político imediato.
Contudo, a direção nacional do PT e o próprio presidente da República articulam para que Haddad assuma um papel de protagonismo nas urnas em outubro. O ministro é considerado a principal aposta da legenda para disputar o governo do estado de São Paulo ou uma vaga ao Senado Federal.
O principal obstáculo para essa estratégia é a resistência demonstrada por Haddad em voltar a disputar cargos eletivos no Executivo estadual neste momento. O ministro relatou que mantém diálogo constante com Lula, que segue trabalhando para convencê-lo a entrar na disputa eleitoral.
Contexto da Saída
A entrevista e o anúncio ocorrem em meio a um cenário político movimentado, incluindo repercussões recentes envolvendo o Banco Master e o afastamento gradual de Haddad das funções executivas do governo. A transição na pasta da Fazenda é aguardada com atenção pelo mercado financeiro, dado o papel central que o ministro desempenhou na articulação econômica do terceiro mandato de Lula.
Com a confirmação da saída para fevereiro, o governo deve iniciar nas próximas semanas o processo de transição e a definição do substituto para liderar a agenda econômica do país no último ano do mandato presidencial.







