As chances de o senador Angelo Coronel (PSD) concorrer a uma vaga no Senado como candidato "independente", mesmo com seu partido fazendo parte da base do governo Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia, são consideradas baixas. Essa é a avaliação do senador Jaques Wagner (PT), um dos nomes fortes para a chapa majoritária do governo nas próximas eleições.
Em conversa com o Bahia Notícias, Jaques Wagner deixou claro que o grupo ligado ao governo Jerônimo Rodrigues dificilmente aceitaria uma candidatura avulsa de alguém que pertence a um partido aliado à gestão estadual.
A ideia dessa candidatura independente foi levantada tanto pelo presidente do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar, quanto pelo próprio Angelo Coronel. A resistência do grupo governista surge porque o PSD já declarou apoio à reeleição do governador Jerônimo e também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por que a base governista resiste?
A situação de Coronel como "independente" geraria um desconforto, já que seu partido, o PSD, é peça fundamental na base aliada. Outros políticos do PT na Bahia também já se manifestaram contra essa possibilidade, mesmo que de forma anônima. "Não existe candidatura independente de partido da base", afirmou um petista, ressaltando a incoerência da proposta.
Embora os petistas considerem a ideia remota, a possível candidatura de reeleição de Coronel pelo PSD contaria com o apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Kassab aposta em aumentar a bancada do PSD no Senado, e a saída de Coronel do páreo representaria um candidato a menos para o partido tentar manter uma cadeira.
Chapa "puro-sangue" e o cenário de 2026
O debate sobre as eleições de 2026 já acontece desde 2025, e um desfecho para essa questão parece estar próximo. O senador Angelo Coronel, inclusive, já tinha comentado sobre a composição da chapa governista na Bahia, que, segundo o que se desenha, seria composta apenas por petistas.
Essa chapa "puro-sangue" incluiria o governador Jerônimo Rodrigues buscando a reeleição, ao lado dos ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, ambos do PT, como candidatos ao Senado Federal. Em maio do ano passado, Coronel já tinha expressado sua visão sobre o tema:
“Boa chapa. Cada partido tem o direito de indicar seus nomes para concorrer a qualquer cargo. Eu não sou PT, sou PSD.”
Impacto nacional e a estratégia do PSD
A discussão sobre a formação da chapa na Bahia ganhou novos contornos com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, confirmada recentemente. Esse movimento mostra a estratégia do PSD de conseguir apoiar Lula e Jerônimo em alguns estados, mas também ter um candidato à presidência em palanques de oposição em outros.
Ronaldo Caiado explicou essa dinâmica, mostrando como o PSD busca flexibilidade em cada estado:
“O Kassab liberou nossas bases para que tivéssemos essa independência também, aquele que for escolhido. Por exemplo, eu cito, na Bahia, por exemplo, se lá o PSD estiver vinculado ao governador candidato pelo PT, o candidato nosso estará ali no palanque do ACM Neto.”
Isso significa que, enquanto o PSD nacional permite alianças locais com o PT, a ambição de ampliar sua força política pode gerar situações complexas, como a de Angelo Coronel, que, mesmo em um partido aliado, busca um caminho próprio, algo que a base governista na Bahia considera "difícil" de aceitar.







