Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Governo Trump planeja classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Governo dos EUA planeja classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, impondo sanções severas e bloqueio financeiro.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
09 de março, 2026 · 13:20 3 min de leitura
Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, está em vias de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A expectativa é de que o Departamento de Estado norte-americano emita o anúncio oficial nos próximos dias. A articulação em Washington foi noticiada inicialmente pela colunista Mariana Sanches, do portal UOL, cujas informações foram corroboradas por fontes com trânsito no governo estadunidense.

Publicidade

Diante do avanço dessa proposta, a diplomacia brasileira iniciou movimentações para acompanhar o caso. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, foi notificado durante sua passagem por Washington sobre a iminência da decisão. Desde o último fim de semana, o chanceler tem buscado estabelecer contato direto com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial de que o diálogo entre os dois representantes governamentais havia sido concretizado.

A formalização do PCC e do CV na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras acarreta um pacote de sanções imediatas e severas. Do ponto de vista prático, o enquadramento jurídico determina o bloqueio automático de quaisquer ativos financeiros ou bens de membros dessas organizações que estejam sob a jurisdição dos Estados Unidos. Adicionalmente, os grupos são sumariamente banidos de todo o sistema financeiro do país. A legislação norte-americana também passa a proibir terminantemente que cidadãos ou entidades do país forneçam qualquer modalidade de suporte material, o que abrange desde recursos financeiros até armamentos.

As implicações da medida se estendem à esfera imigratória e ao ambiente corporativo. Indivíduos com comprovada associação a essas facções enfrentarão fortes restrições para ingressar em território norte-americano. No âmbito empresarial, companhias que mantêm operações em regiões sob a influência desses grupos passam a correr sérios riscos legais. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, possui a prerrogativa de aplicar sanções a essas empresas, dinâmica semelhante aos alertas já emitidos para negócios realizados no México em áreas dominadas por cartéis.

Publicidade

O movimento de Washington também levanta debates mais amplos sobre a segurança no continente. A atual presidência norte-americana já chegou a ventilar publicamente o uso de ações militares contra organizações criminosas mexicanas. No entanto, analistas e especialistas em direito internacional divergem sobre a viabilidade dessa estratégia, questionando se a simples classificação como grupo terrorista forneceria o embasamento legal necessário para autorizar operações de cunho militar em territórios estrangeiros.

Nos bastidores da Casa Branca e do Departamento de Estado, a elaboração dessa política de endurecimento contra as facções brasileiras tem sido conduzida ao longo dos últimos meses por um núcleo específico de autoridades. O avanço da pauta conta com a participação de Christopher Landau, subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Darren Beattie, secretário de Estado adjunto interino para Assuntos Educacionais e Culturais, e Ricardo Pita, conselheiro sênior para a mesma região. A iniciativa possui ainda o aval estratégico de Sarah Carter, que assumiu recentemente a direção do Gabinete de Políticas Nacionais de Controle de Drogas com a responsabilidade de gerir as diretrizes antidrogas do governo Trump.

Leia também