Uma verdadeira dança das cadeiras está se preparando na Esplanada dos Ministérios. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ver até 25 de seus ministros deixarem seus cargos no período que vai de janeiro até o começo de abril. A movimentação acontece por conta das regras eleitorais, que exigem a desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de 2026.
De acordo com uma reportagem da Folha de S.Paulo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi inclusive incentivada pelo presidente Lula a concorrer ao Senado pelo estado do Paraná. A saída de Gleisi já era esperada, mas inicialmente para uma disputa pela Câmara dos Deputados. Ela, no entanto, ainda não bateu o martelo sobre a candidatura ao Senado, que seria um desafio eleitoral grande para ela.
Por que a pressa para a saída?
A data limite para que os ministros se afastem de seus postos, caso queiram se candidatar, é 6 de abril de 2026. Este prazo, de seis meses antes do primeiro turno, está previsto na Lei Complementar nº 64/1990. O objetivo é bem claro: evitar que a máquina pública seja usada para benefício eleitoral, garantindo mais igualdade na disputa.
Quem sai, mas não para se candidatar
Nem todos os que deixam seus cargos têm a intenção de disputar uma eleição agora. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é um exemplo. Ele deve ser o primeiro a sair, talvez até o final de janeiro, e já preparou o terreno para seu substituto, Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta. Haddad já disse que não planeja se candidatar a nenhum cargo e que quer se dedicar a "discutir um projeto de país no cenário internacional" e fazer campanha para o presidente Lula.
Outro nome de peso que deixa o governo sem pretensões eleitorais é Camilo Santana, ministro da Educação. Apesar de ter sido cotado até para vice-presidente na chapa de Lula, ele negou qualquer intenção de concorrer. Camilo garantiu que vai se dedicar à reeleição do presidente e também do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).
José Múcio, ministro da Defesa, reforça esse grupo. Ele já expressou várias vezes o desejo de sair, mas ficou a pedido do presidente Lula por mais um tempo.
Os que podem trocar a Esplanada pelas urnas
A lista de ministros que sairão para buscar um cargo eletivo é extensa e variada. Eles pretendem disputar vagas em governos estaduais, no Senado Federal ou na Câmara dos Deputados. Veja alguns nomes:
- Candidatos a governos estaduais:
- Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes, por Alagoas.
- Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, por São Paulo.
- Candidatos ao Senado:
- Simone Tebet (MDB), Planejamento e Orçamento, por Mato Grosso do Sul ou São Paulo.
- Anielle Franco (PT), Igualdade Racial, pelo Rio de Janeiro.
- Marina Silva (Rede), Meio Ambiente, por São Paulo.
- Alexandre Silveira (PSD), Minas e Energia, por Minas Gerais.
- Carlos Fávaro (PSD), Agricultura, por Mato Grosso.
- Silvio Costa Filho (Republicanos), Portos e Aeroportos, por Pernambuco.
- Rui Costa (PT), Casa Civil, pela Bahia.
- André Fufuca (PP), Esportes, pelo Maranhão.
- Candidatos à Câmara dos Deputados:
- Luiz Marinho (PT), Trabalho, por São Paulo.
- Wolney Queiroz (PDT), Previdência, por Pernambuco.
- Sônia Guajajara (PSOL), Povos Indígenas, por São Paulo.
- André de Paula (PSD), Pesca, por Pernambuco.
- Paulo Teixeira (PT), Desenvolvimento Agrário, por São Paulo.
- Jader Filho (MDB), Cidades, pelo Pará.
- Luciana Santos (PCdoB), Ciência e Tecnologia, por Pernambuco.
Casos com interrogações
Alguns ministros ainda têm seu futuro incerto. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que ocupa a pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, teve seu nome ventilado para disputar o governo de São Paulo. Contudo, a princípio, ele deve seguir com Lula na chapa para a reeleição.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, é outro caso interessante. Em novembro, o presidente Lula brincou que ela era um "desastre" para falar, mas que tinha melhorado e "até parecia querer ser candidata". O PT já a convidou para se filiar, e ela tem o apoio de Lula e da primeira-dama Janja para tentar uma vaga na Câmara em 2026.
Alexandre Padilha (PT), da Saúde, e Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral, afirmam que querem permanecer nos cargos até o fim do ano. Porém, não está descartada uma "convocação" de Lula para que um deles concorra ao Senado por São Paulo, já que o presidente defende que o governo tenha nomes fortes nos principais estados.
Uma saída que não envolve eleições é a de Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), que tem status de ministro. Ele foi indicado por Lula para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Se o Senado aprovar seu nome, ele deixará a AGU.
No total, dos 38 ministros, 22 devem sair até abril, e 16 devem continuar, mas o cenário pode mudar até lá.







