O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) fez um desabafo forte na noite desta terça-feira (9), logo depois de ser retirado à força da cadeira da presidência da Câmara dos Deputados. Agentes da Polícia Legislativa do Congresso foram responsáveis pela ação. Em uma coletiva de imprensa, o parlamentar classificou o ocorrido, junto com o corte na transmissão da TV Câmara, como uma clara “ofensiva golpista”.
Para Braga, o desligamento do sinal da TV Câmara, que é o canal oficial de transmissão das atividades legislativas, é um sinal alarmante. Ele comentou que, em todo o seu tempo de atuação, nunca tinha visto algo assim.
"Eu estou aqui há algum tempo pelo menos e até hoje não tinha ouvido falar de cortarem o sinal da TV Câmara para que as pessoas não acompanhassem o que estava acontecendo dentro do plenário", disse o deputado.
O deputado do PSOL traçou um paralelo com outro episódio recente na Câmara. Ele lembrou o protesto de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que, em outro momento, se amarraram à mesa diretora da Câmara por dias, pedindo a anistia.
Braga criticou a diferença de tratamento. Ele disse que, na ocasião dos bolsonaristas, “sobrou negociação, sobrou diálogo. Em nenhum momento foi considerada a retirada a força daqueles deputados pela Polícia Legislativa. O que está acontecendo agora é uma ofensiva golpista”.
"A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara Hugo Motta foi que ele tivesse 1% do tratamento para comigo que teve com aqueles que sequestraram a mesa Diretora da Câmara por 48 horas por três dias em associação com o deputado que está conspirando contra o nosso país", declarou Braga, deixando clara sua indignação.
A ação de Braga de ocupar o assento da presidência era uma forma de protesto contra um processo que pauta sua própria cassação. Ele garantiu que esse projeto não está isolado e faz parte de um “pacote” maior.
O Pacote Polêmico
Segundo o psolista, a votação de sua cassação, que pode resultar em oito anos de inelegibilidade, está interligada a outras votações importantes. Ele citou uma anistia que, em suas palavras, não é uma “dosimetria”, e que poderia reduzir a pena de Jair Bolsonaro para apenas dois anos.
Além disso, ele mencionou o interesse em manter os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Essas pautas, para Glauber Braga, formam um conjunto de ações coordenadas.
"A votação da minha cassação com uma inegibilidade de 8 anos não é um fato isolado, nesse mesmo pacote está uma anistia que não é dosimetria, levando a possibilidade de que Jair Bolsonaro só tenha 2 anos de pena", destacou. "Combinados com isso, eles querem manter os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro", completou ele.
Para finalizar, o deputado resumiu sua percepção da situação: “com os golpistas sobrou docilidade e com quem não entra no jogo deles, é porrada”. A manifestação de Glauber Braga acende o debate sobre a conduta da Polícia Legislativa e a forma como diferentes protestos são tratados dentro da Câmara dos Deputados.







