Uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelou um esquema de “fraude sistêmica” na construção da fábrica de carros elétricos da BYD em Camaçari, na Bahia. Operários chineses foram encontrados em condições análogas à escravidão, em um caso que chocou o estado.
As condições dos alojamentos eram desumanas. Em um dos locais, 31 trabalhadores dividiam um único banheiro coberto de lodo. Muitos dormiam sem colchão e guardavam comida no chão, em meio a lixo industrial e vermes, segundo a apuração.
A fraude começava na China, com promessas de salários que chegavam a quase R$ 15 mil. Ao chegarem ao Brasil, porém, os operários tinham seus passaportes confiscados, eram proibidos de sair dos alojamentos e enfrentavam uma rotina de trabalho de domingo a domingo, sem folgas.
A situação de risco era constante. Há relatos de trabalhadores atuando descalços ou apenas de roupa íntima perto de maquinário pesado. A exaustão teria causado acidentes graves, como amputações e fraturas expostas.
Após a denúncia, a BYD encerrou o contrato com a empreiteira terceirizada, a Jinjiang Construction, que era responsável pelos trabalhadores. A montadora chinesa, que inicialmente chamou o caso de “diferenças culturais”, colaborou com as autoridades.
Para encerrar o processo civil, foi assinado um acordo de R$ 40 milhões. Metade do valor, R$ 20 milhões, será dividida como indenização para os 224 trabalhadores resgatados, o que dá cerca de R$ 89 mil para cada um. A BYD não admitiu culpa formalmente, mas atuou como garantidora do pagamento.
Mesmo com o acordo, a situação na fábrica ainda é tensa. Recentemente, trabalhadores brasileiros protestaram no local, reclamando da falta de estrutura básica, como banheiros químicos e água potável.







