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Política

EUA sancionam presidente colombiano Gustavo Petro e familiares

Tesouro dos EUA bloqueia bens e proíbe transações de Gustavo Petro, sua família e aliados, por suspeita de favorecimento a cartéis — sem provas públicas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
24 de outubro, 2025 · 22:37 2 min de leitura
Foto: The Official White House
Foto: The Official White House

Na sexta‑feira, 24, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções que atingem diretamente o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e integrantes próximos ao seu círculo, com bloqueio de bens e proibição de transações com cidadãos norte‑americanos.

Quem foi incluído

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Entre os nomes citados pelo órgão estão:

  • Gustavo Petro (presidente);
  • Veronica Garcia, sua esposa;
  • Nicolas Petro Burgos, seu filho;
  • Armando Villaneda, empresário.

O Tesouro justificou a medida dizendo que Petro teria permitido o fortalecimento de cartéis e favorecido organizações narcoterroristas. O comunicado, porém, não apresentou provas concretas que apoiem essas acusações.

Reação de Petro

Petro reagiu publicamente e relacionou a inclusão de sua família à concretização de uma ameaça mencionada por outra pessoa. Em pronunciamento, afirmou que a ameaça se cumpriu e disse que, apesar de lutar contra o narcotráfico por décadas, recebeu essa medida do governo.

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Ele voltou a afirmar seu posicionamento sobre o combate às drogas e destacou que não dará um passo atrás — expressão que usou para ressaltar resistência diante da decisão.

Contexto das tensões

As sanções foram anunciadas um dia depois de Petro acusar os Estados Unidos de cometer “execuções extrajudiciais” em operações militares no Caribe e no Pacífico. Segundo ele, houve uso desproporcional da força e violações do direito internacional nessas ações, realizadas em coletiva em Bogotá.

Desde 2 de setembro, as Forças dos Estados Unidos atacaram dez embarcações suspeitas de transportar drogas. As ações teriam resultado em mais de 40 mortes e em imagens de destroços em chamas divulgadas por Washington. O governo colombiano afirmou que algumas operações invadiram águas nacionais, e Petro mencionou a morte de um pescador de Santa Marta durante as ações.

Em 22 de setembro, um grupo de especialistas nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU criticou as operações. Eles disseram que, mesmo se as embarcações estivessem ligadas ao tráfico, o uso de força letal em águas internacionais sem base legal adequada poderia violar o direito do mar e equivaler a execuções extrajudiciais. Os especialistas também alertaram para o risco de escalada e para a possibilidade de violação da Carta das Nações Unidas caso houvesse ação militar contra outro Estado soberano.

Outros pontos citados

O comunicado do Tesouro também mencionou declarações anteriores de Petro, entre elas uma comparação feita em fevereiro entre cocaína e bebidas alcoólicas. Matéria da Folha de S. Paulo colocou a decisão do Tesouro no contexto da deterioração das relações diplomáticas entre Bogotá e Washington.

Além disso, a Procuradoria da Venezuela pediu, em 19 de setembro, que a ONU investigue os ataques americanos a embarcações no Caribe.

O que vem a seguir

A medida elevou ainda mais a tensão diplomática na região. Resta saber como os próximos dias vão desenhar o diálogo — ou o confronto — entre Bogotá e Washington.

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