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Política

ANPC pede revogação da instrução que liberou importação de cacau

ANPC pede revogação da norma que liberou a importação de cacau; 56,5 mil t já entraram em 2025 e preços ao produtor caíram para cerca de R$300.

Redação ChicoSabeTudo
25 de outubro, 2025 · 00:37 2 min de leitura
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

O debate sobre a importação de cacau voltou ao centro das discussões depois que a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) pediu ao governo a revogação da Instrução Normativa de 2021, que liberou a entrada de cacau da Costa do Marfim. A associação alega impactos econômicos relevantes para os produtores brasileiros e riscos à segurança fitossanitária.

O que a ANPC aponta

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Segundo a entidade, a norma acabou beneficiando grandes empresas em detrimento da base produtora nacional. A participação da então ministra Teresa Cristina no processo foi citada pela ANPC, que também destacou que grupos como Barry Callebaut, Cargill e OFI já vinham comprando diretamente no exterior e têm estrutura industrial para processar o cacau.

“Foi uma liberação irresponsável”, afirmou Vanusa Barrozo.

Números que preocupam

Para dimensionar a entrada do produto estrangeiro, a ANPC apresentou dados sobre embarques em 2025:

  • 56,5 mil toneladas já importadas neste ano;
  • previsão de mais 60 mil toneladas até novembro;
  • embarques mensais estimados em cerca de 12 mil toneladas.
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“Esse cacau é o mais barato do mundo, muitas vezes produzido em condições de trabalho análogas à escravidão, com tráfico de crianças na África”, disse Vanusa Barrozo.

A entrada rápida do produto estrangeiro pressionou fortemente os preços pagos aos produtores. Em pouco tempo, a arroba, que chegou a ser cotada em cerca de R$ 1,2 mil no ano anterior, passou a valer próximo de R$ 300. Como se organiza um produtor com esse cenário?

O impacto é especialmente sentido em municípios do Sul da Bahia, como Ilhéus e Itabuna, onde a cadeia do cacau é vital para a economia local e para a arrecadação. A ANPC também criticou o enfraquecimento da Ceplac, apontando falta de estrutura e respaldo político para atender, sobretudo, os produtores familiares.

“A Ceplac está sucateada, sem estrutura e sem respaldo político. O produtor de cacau, que é em sua maioria agricultor familiar, não tem sido prioridade nas políticas do governo”, afirmou Vanusa Barrozo.

O que a ANPC tem feito

Para tentar reverter o cenário, a ANPC buscou reuniões com o ministro‑chefe da Casa Civil, Rui Costa, e com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, mas relatou dificuldades de acesso. A entidade também articulou a mobilização de prefeitos e consórcios municipais, como a Amurc e o Ciapra, para levar uma comitiva a Brasília e realizou uma audiência pública em março que reforçou a necessidade de revisar a Instrução Normativa.

Como próximos passos, a ANPC mantém a tentativa de novas reuniões ministeriais e afirmou que continuará acompanhando as remessas previstas até novembro, na tentativa de proteger a produção nacional e a estabilidade do mercado.

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