A busca por poder no Congresso Nacional, especialmente no Senado, era um dos grandes focos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e da oposição para as eleições de 2026. A ideia, dita pelo próprio Bolsonaro em um ato em São Paulo, era conseguir “50% da Câmara e do Senado” para “mudar o destino do Brasil”. Contudo, uma série de eventos recentes e um levantamento feito pelo Bahia Notícias mostram que esse caminho ficou bem mais complicado.
A Ambição Pelo Senado e Seus Motivos
No final de junho, em um grande evento na Avenida Paulista, em São Paulo, com cerca de 20 mil apoiadores, Bolsonaro deixou clara a prioridade: eleger senadores fortes em cada estado. Para ele e a oposição, ter a maioria das cadeiras no Senado Federal era fundamental. A razão? O Senado tem o poder de abrir processos por crimes de responsabilidade, que poderiam levar ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com 54 das 81 cadeiras do Senado em jogo nas eleições do ano que vem, conquistar essa maioria era visto como a melhor forma de, entre outras coisas, reverter a situação jurídica do ex-presidente, que perdeu seus direitos políticos. O principal alvo da oposição era o ministro Alexandre de Moraes, contra quem já foram apresentados mais de 30 pedidos de impeachment.
O Jogo Muda: Decisões e Condenações
Desde aquele discurso na Paulista, o cenário político se transformou bastante. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF e chegou a ser preso na Superintendência da Polícia Federal. Além disso, o ministro Gilmar Mendes tomou uma decisão que mudou as regras do jogo para pedidos de impeachment de ministros do STF.
PublicidadeA decisão inicial de Gilmar Mendes indicava que apenas o procurador-geral da República poderia iniciar esses processos. Embora o ministro tenha recuado em parte dessa determinação, ele manteve uma mudança crucial: o quórum para dar andamento a um pedido de impeachment subiu de 41 para 54 votos, ou seja, dois terços dos senadores. Isso torna muito mais difícil qualquer processo de afastamento.
O Raio-X das Pesquisas: Um Desafio Grande
Um levantamento recente do Bahia Notícias, que analisou as pesquisas mais atuais de institutos nacionais em todos os 27 estados, jogou luz sobre o tamanho do desafio que a oposição terá. Se os resultados de hoje se mantiverem, as 54 cadeiras em disputa se dividiriam de um jeito que não favorece a estratégia bolsonarista.
Como ficaria o Senado, segundo as projeções:
- PL: 21 senadores
- MDB: 10 senadores
- União Brasil: 10 senadores
- PP: 8 senadores
- PT: 8 senadores
- Republicanos: 7 senadores
- PSD: 6 senadores
- PSDB: 3 senadores
- PDT: 3 senadores
- PSB: 2 senadores
- Psol: 1 senador
- Podemos: 1 senador
- Sem partido: 1 senador
Nesse cenário, mesmo somando os 21 votos do PL com outros partidos considerados de oposição ao governo atual, como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, a bancada de apoio a um impeachment chegaria a, no máximo, 47 votos. Esse número está abaixo dos 54 votos exigidos pela nova regra para que um processo de impeachment seja admitido no Senado.
Apesar dessa dificuldade para impulsionar processos de impeachment, o PL ainda se projetaria como a maior bancada, com 21 senadores. Essa força partidária poderia, hipoteticamente, credenciar o partido a conquistar a presidência do Senado, cargo que tem a prerrogativa de decidir se um pedido de impeachment de ministro do Supremo avança ou não.
Renovação à Vista, Mas Sem Recorde
O levantamento também aponta para uma grande renovação no Senado a partir de 2027. Nas eleições de 2018, quando dois terços das cadeiras foram renovadas, 46 das 54 vagas foram preenchidas por novos nomes, um recorde de mais de 85% de renovação. Agora, as projeções atuais indicam que 13 senadores em exercício estão entre os dois primeiros colocados nas pesquisas.
Se esse número se mantiver, haverá uma renovação de 41 das 54 cadeiras, o que representa cerca de 76% do total. Embora seja uma renovação considerável, não superaria o recorde visto em 2018.
Com as mudanças nas regras de impeachment e os números das pesquisas, a estratégia da oposição para o Senado em 2026 encontra um caminho muito mais íngreme e desafiador do que o imaginado inicialmente.







