O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), se reuniu nesta quinta-feira (5) com lideranças políticas em Irecê, no centro-norte da Bahia. O encontro fez parte do Fórum S.O.S Bahia, uma iniciativa da Fundação Índigo em parceria com o União Brasil, que busca discutir os "Caminhos para Transformar a Realidade do Semiárido Baiano" e mobilizar esforços para enfrentar os impactos da seca no estado.
Ciro Gomes, que já foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula, entre 2003 e 2006, usou sua experiência para analisar a situação. Ele relembrou os desafios que encontrou ao assumir a pasta, que era responsável por áreas cruciais como infraestrutura hídrica, defesa civil e irrigação.
Quando eu cheguei lá, eu fechei o ministério por 30 dias, porque o ministério encarregado disso simplesmente era um canto de roubalheira, de clientelismo, de fisiologia. Não havia projeto para absolutamente nada.
Para o político cearense, que atualmente é visto como um possível candidato ao governo do Ceará, o principal problema é a falta de um plano de longo prazo para a região. Ele enfatiza que o semiárido é o local onde a miséria e a pobreza são mais sentidas no país, apesar de possuir as melhores condições globais para resolver seus desafios.
PublicidadeFalta ao Brasil um projeto estratégico que enfrente o problema do semiárido, que é o endereço da miséria e da pobreza mais sofrida do país. (...) Você tem muita pobreza nas periferias das grandes cidades, o fundão da Amazônia também é o endereço de muita pobreza, mas a miséria mais sofrida, o polo mais hostil de expulsão de pessoas pela migração, é o semiárido do Nordeste.
Projetos parados e a realidade da seca
Durante o evento, Ciro Gomes criticou a lentidão de projetos importantes para a Bahia. Ele mencionou o Canal dos Sertões Baianos, que, segundo ele, "nem sai do papel", e o projeto de irrigação Baixio de Irecê, que, apesar de essencial, avança "a passo de cágado manco".
A Bahia tem dois projetos fundamentais do ponto de vista macroestruturante que estão a passo de cágado manco. Um deles nem sai do papel, que é o canal de sertões baianos, e o projeto [de irrigação] Baixio de Irecê. (...) Uma banda está andando, a iniciativa privada entrou, os dois primeiros lotes estão prontos, mas lembre-se, são nove lotes. Você precisa garantir o abastecimento humano, nem isso está garantido.
Ciro ressaltou que a falta d'água afeta diretamente o cotidiano das pessoas, inclusive em cidades de porte como Irecê, e de forma ainda mais grave nos municípios menores. Ele trouxe dados preocupantes sobre a situação atual na Bahia:
- 65 municípios em condição crítica de seca e falta d'água.
- 2 milhões de pessoas enfrentando dificuldades de abastecimento.
A discussão no fórum se concentrou justamente em buscar estratégias eficazes para reverter esse cenário, garantindo que o semiárido possa desenvolver seu potencial e oferecer qualidade de vida à sua população.







