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Do subsolo baiano ao campo: como a Galvani transforma fosfato em renda sem deixar o estado

Única produtora de fertilizantes fosfatados totalmente verticalizada no Norte-Nordeste, a empresa conecta mineração, industrialização e distribuição dentro da própria Bahia — e expande o modelo para Irecê.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
21 de maio, 2026 · 04:14 3 min de leitura
Vista aérea da unidade de mineração da Galvani em Angico dos Dias, Bahia
Vista aérea da unidade de mineração da Galvani em Angico dos Dias, Bahia
PI 637

Quando uma tonelada de fosfato sai do solo baiano e vira fertilizante dentro do próprio estado antes de chegar ao campo, a riqueza gerada fica aqui. Essa é a lógica por trás do modelo de negócio que a Galvani pratica há mais de duas décadas na Bahia — e que agora a empresa quer ampliar com um novo projeto em Irecê.

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A Galvani se posiciona como único produtor de fertilizantes fosfatados totalmente verticalizado no Norte-Nordeste do Brasil. Na prática, isso significa que a cadeia toda — extração do minério, beneficiamento, produção de fertilizantes e distribuição — acontece sob o mesmo guarda-chuva empresarial, dentro da região.

A unidade de mineração da empresa se instalou no povoado de Angico dos Dias, em Campo Alegre de Lourdes, em 2002, e começou a funcionar efetivamente em 2005, com o objetivo de extrair fosfato para ser transformado em fertilizante em Luís Eduardo Magalhães. De lá para cá, a empresa acumula mais de 20 anos de história em Angico dos Dias, numa região com enorme potencial para o desenvolvimento da mineração de fosfato.

O diretor-presidente da Galvani, Marcelo Silvestre, defende que o beneficiamento local é o que distingue esse modelo de uma simples atividade extrativa. Segundo ele, quando o minério é processado dentro do estado, a riqueza gerada pela atividade mineral permanece na Bahia, estimulando a industrialização, a geração de conhecimento técnico e o fortalecimento da cadeia produtiva.

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O próximo passo nessa direção é o Projeto Minério Primário de Irecê. A Galvani está retomando as operações na região em parceria com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A nova unidade terá capacidade de produção anual de 350 mil toneladas de concentrado fosfático, direcionados para o complexo industrial de Luís Eduardo Magalhães. A planta também produzirá 600 mil toneladas de calcário agrícola para atendimento do mercado do Matopiba.

O projeto em Irecê conta com um financiamento de R$ 344 milhões da Finep, graças à inovação na tecnologia de concentração a seco, que elimina a necessidade de barragens de rejeitos. O processamento a seco inova pela adoção inédita de calcinação de fosfato na área de fertilizantes, além do baixo consumo de água com 100% de recirculação no processo, sem lançamento de efluentes industriais.

Segundo a Galvani, as obras de expansão da Unidade de Mineração em Irecê estão nos estágios finais da engenharia, na fase de aquisição de equipamentos e início da construção civil, com previsão de início das atividades entre março e abril de 2026.

O Projeto Irecê irá gerar aproximadamente 900 empregos diretos e indiretos durante a fase de construção e operação da planta, impulsionando o desenvolvimento econômico na região. Além dos postos de trabalho, foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica entre a CBPM e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR) para a distribuição à agricultura familiar da região de 10 mil toneladas de calcário que serão doadas pela Galvani anualmente.

O impacto do modelo verticalizado vai além das plantas industriais. Os investimentos em infraestrutura nas comunidades do entorno fazem parte das contrapartidas da parceria entre a CBPM e a Galvani, no contexto do projeto de mineração de fosfato na região. Em dezembro de 2025, por exemplo, Campo Alegre de Lourdes recebeu uma ordem de serviço de R$ 3 milhões para obras de acesso ligando Angico dos Dias a comunidades vizinhas.

No horizonte mais amplo, a ampliação faz parte do plano da Galvani de duplicar sua capacidade de operação industrial na Bahia, com investimentos totais previstos de R$ 3 bilhões até 2027 na região do Matopiba. O projeto visa reduzir em 25% a dependência de fertilizantes importados no Norte e Nordeste. Para especialistas ouvidos sobre o setor mineral baiano, esse caminho — da extração ao produto final dentro do próprio estado — é justamente o que transforma minério em desenvolvimento regional de verdade.

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