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Dívida previdenciária, crise do lixo e desgaste na Câmara: o passivo que JHC deixou para Rodrigo Cunha em Maceió

Novo prefeito assume gestão com rombo de quase R$ 300 milhões na previdência, coleta de lixo em colapso e vereadores insatisfeitos — herança direta da administração anterior.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
29 de maio, 2026 · 07:04 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Rodrigo Cunha assumiu a Prefeitura de Maceió em abril de 2026, mas a cadeira que ocupou não veio vazia. O ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC, deixou pelo menos três nós a serem desatados pelo sucessor: um rombo bilionário na previdência municipal, uma crise de limpeza urbana que chegou à Defensoria Pública e um relacionamento desgastado com vereadores na Câmara Municipal.

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O primeiro problema é financeiro e de grande proporção. Durante a gestão de JHC, Maceió investiu cerca de R$ 97 milhões, por meio do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev), no Banco Master — e, após a aplicação, a cidade passou a ter o maior déficit previdenciário entre os fundos investidores. Dos 15 fundos de previdência que investiram em letras financeiras do Banco Master, Maceió registra o maior déficit, com rombo de R$ 299,4 milhões. É essa conta que Cunha terá de equacionar.

O segundo ponto crítico é a crise do lixo. Há pelo menos duas semanas, moradores de diferentes bairros de Maceió convivem com falhas na coleta, acúmulo de resíduos e transtornos causados pela demora no recolhimento — situação que levou a Defensoria Pública de Alagoas a cobrar providências urgentes da Prefeitura e das empresas responsáveis pela limpeza urbana.

A capital enfrenta problemas no recolhimento de lixo em vários bairros, após paralisações de funcionários da limpeza urbana por denúncias de atraso salarial e falta de pagamento de direitos trabalhistas. Nos últimos dias, moradores relataram acúmulo de lixo em diversos locais. A situação ficou ainda mais exposta quando, em meio ao caos, o ex-prefeito JHC e o prefeito Rodrigo Cunha anteciparam o anúncio oficial da programação do São João Massayó 2026.

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A vereadora Teca Nelma usou a tribuna da Câmara Municipal para cobrar esclarecimentos sobre os contratos das empresas responsáveis pela coleta, afirmando ter recebido informações de que as empresas Viambiental e Naturalle estariam atuando por meio de contratos emergenciais, sem processo licitatório. A parlamentar também chamou atenção para possíveis atrasos nos repasses financeiros às empresas responsáveis pelo serviço.

A Defensoria Pública de Alagoas instaurou um procedimento de acompanhamento formal para intervir na crise do acúmulo irregular de lixo que atinge diversos bairros de Maceió, e o Núcleo de Proteção Coletiva oficiou a Alurb junto às empresas concessionárias. O ofício solicita que o município apresente, no prazo de cinco dias, informações sobre as medidas adotadas, além de uma solução definitiva para o problema.

O terceiro desafio é político. A maioria dos vereadores de Maceió saiu perdendo cargos e apadrinhados na prefeitura com a saída de JHC, e Cunha tem se esforçado para tocar a administração e atender as demandas do que pode ser a sua bancada na Câmara. O processo, segundo análises do noticiário alagoano, tende a ser lento e cheio de percalços.

Na área de pessoal, com problemas administrativos herdados da gestão de JHC, Cunha propôs aos servidores um reajuste escalonado de 4,30% em 2026, mas representantes de seis sindicatos rejeitaram a proposta e a categoria pede reajuste de 10%. A negociação segue sem desfecho.

A posse de Rodrigo Cunha marcou apenas uma troca formal no comando da capital alagoana, sem mudança efetiva de gestão. Os primeiros atos administrativos indicam que, apesar da nova liderança, a estrutura da prefeitura segue praticamente a mesma da administração anterior. Agora, o desafio de Cunha é imprimir uma identidade própria enquanto apaga os incêndios deixados pelo antecessor.

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