No dia 3 de dezembro, foi lembrado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, data criada em 1992 pela Assembleia Geral das Nações Unidas com o intuito de promover discussões sobre acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência. Um dia após essa celebração, o Bahia Notícias entrevistou Silvanete Brandão, presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), sobre os desafios enfrentados para garantir a representatividade e a acessibilidade na Bahia.
Silvanete Brandão, que está vinculada à associação há 30 anos, relatou que sua trajetória começou quando conheceu a ativista Luíza Câmara, fundadora da ABADEF, que a convidou a fazer parte da organização. “São 30 anos convivendo com pessoas com deficiência e na gestão da ABADEF”, comentou. Em seus 45 anos de existência, a ABADEF já acolheu milhares de associados em suas iniciativas de capacitação e defesa dos direitos humanos.
A presidente destacou que, embora a entidade tenha sido inicialmente focada em deficiências físicas, uma recente reestruturação permitiu a inclusão de pessoas com outras deficiências. “Mudamos nosso estatuto para cadastrar pessoas com outras deficiências”, afirmou. A missão central da ABADEF é a promoção dos direitos das pessoas com deficiência, com ações focadas em acessibilidade, educação inclusiva e combater o capacitismo estrutural.
Entre os projetos da associação, o Capacita se destaca por incentivar a empregabilidade e oferecer consultoria a empresas que buscam contratar pessoas com deficiência. Outro projeto notável é Mulheres com Deficiência, que visa fortalecer a autoestima e o empreendedorismo entre mulheres com deficiência, buscando reduzir a violência e discriminação de gênero. Além disso, a associação promove eventos festivos, como o bloco de carnaval “Me Deixa a Vontade”, que anualmente conta com a participação de 2.500 pessoas.
Silvanete Brandão apontou a acessibilidade como o principal obstáculo enfrentado na Bahia, citando dados do Censo Demográfico 2022 que indicam que quase metade da população de Salvador vive em áreas sem calçadas, o pior índice entre as capitais brasileiras. “O cidadão com deficiência ainda não consegue acessar plenamente sua inclusão e cidadania pela falta de acessibilidade”, ressaltou.
A ABADEF opera em Salvador, oferecendo suporte e representação a pessoas de todo o estado. A associação é acionada por conselhos e secretarias para capacitação em questões de acessibilidade e direitos humanos. “Fazemos um acolhimento para que as pessoas conheçam seus direitos e deveres em uma sociedade ainda capacitista”, concluiu Silvanete.







