Dez deputados federais da Bahia estão entre os 200 parlamentares que assinaram um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. O foco principal dessa CPI seria investigar possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), um esquema que, segundo apurações preliminares, pode ter causado um prejuízo superior a R$ 12,2 bilhões.
O requerimento para a criação da CPI foi protocolado na última segunda-feira, dia 2 de outubro, pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Ele e os outros signatários esperam que a comissão ajude a desvendar as responsabilidades e os desdobramentos do que está sendo chamado de um dos maiores e mais complexos esquemas de fraude financeira do Brasil nos últimos tempos.
Entenda a Suspeita de Fraude Bilionária
A investigação busca clareza sobre como o Banco Master e o BRB se relacionaram financeiramente. De acordo com o que se apurou até agora, o banco BRB, que é controlado pelo Governo do Distrito Federal, teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões para adquirir carteiras de crédito que, na verdade, não eram do Banco Master e não possuíam as garantias necessárias. Esse movimento, que levanta sérias dúvidas, pode ter gerado um rombo de até R$ 5 bilhões para o BRB.
As suspeitas são graves e incluem a criação de fundos falsos, a falsificação de contratos e até a montagem de ativos que simplesmente não existiam. A situação é tão séria que levou à mobilização de parlamentares de diversas bancadas, da direita à esquerda, para exigir uma apuração rigorosa.
Quem são os deputados baianos que assinaram?
Entre os apoiadores da CPI, a Bahia se destaca com a assinatura de dez de seus representantes na Câmara. São eles:
- Neto Carletto (Avante)
- Alice Portugal (PCdoB)
- Jorge Solla (PT)
- Felix Mendonça Junior (PDT)
- Lídice da Mata (PSB)
- Capitão Alden (PL)
- Arthur Maia (União)
- Ivoneide Caetano (PT)
- Waldenor Pereira (PT)
- Zé Neto (PT)
A Luta pela Instalação da CPI
A criação de uma CPI não é um processo simples. Segundo o requerimento, a comissão teria 27 membros titulares e a mesma quantidade de suplentes, com um prazo de funcionamento de 120 dias para as investigações. O deputado Rodrigo Rollemberg enfatizou a importância da CPI para o país:
“A instauração de uma CPI se faz urgente e necessária para apurar as responsabilidades e os desdobramentos de um dos maiores e mais sofisticados esquemas de fraude financeira da história recente do país, o qual envolveu a fabricação de fundos fraudulentos, a falsificação de contratos, a montagem de ativos inexistentes e um prejuízo que, segundo apurações preliminares da Polícia Federal, supera o montante de R$ 12,2 bilhões.”
Contudo, para que a CPI do Banco Master seja efetivamente instalada, o pedido precisa ser lido no plenário da Câmara pelo presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta tem seguido o Regimento Interno da Câmara, que exige que a ordem de entrada dos pedidos de CPIs seja respeitada. O requerimento de Rollemberg está numa fila que já conta com outras 15 solicitações. Isso significa que, a menos que haja um acordo entre as lideranças partidárias para que esta comissão "pule" a fila, a CPI dificilmente terá tempo de funcionar ainda em 2026, atrasando as tão esperadas respostas sobre as supostas fraudes.







