O cenário da segurança pública na Bahia ganhou um novo capítulo com a iniciativa do deputado estadual Diego Castro (PL). Ele, que preside a Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a fundo a grave crise do setor no estado e, principalmente, o aumento preocupante das mortes de policiais.
O requerimento, protocolado na quinta-feira (5), destaca a necessidade de olhar para as falhas que podem estar por trás dessa situação. Diego Castro quer investigar problemas estruturais, administrativos, operacionais e até mesmo de orçamento que podem estar afetando a política de segurança estadual.
Por que uma CPI?
Para o deputado, os casos de policiais que morrem ou ficam feridos não são eventos isolados. Segundo ele, a repetição desses episódios aponta para problemas maiores, algo que está enraizado no sistema e que exige uma atenção especial do poder público.
"A recorrência desses episódios aponta para possíveis falhas sistêmicas que extrapolam ocorrências isoladas, configurando matéria de inequívoco interesse público e relevância institucional", afirma o texto do pedido.
A gravidade da situação foi ilustrada no documento com dados recentes. Entre janeiro e fevereiro de 2026, em apenas 26 dias, três policiais militares foram mortos na Bahia, e outros dois ficaram feridos em confrontos. Esses números, registrados durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), são um sinal claro, na visão de Diego Castro, da fragilidade da política de segurança pública, especialmente quando o assunto é proteger quem está na linha de frente.
O que a CPI vai investigar?
Se a CPI for de fato instalada, ela terá um prazo inicial de 180 dias para trabalhar. Sua missão será ampla e incluirá vários pontos cruciais:
- Acompanhar a evolução dos números de mortes de policiais.
- Analisar a eficácia das políticas de proteção para os agentes.
- Identificar possíveis falhas no planejamento e na inteligência.
- Verificar as condições de trabalho, equipamentos, quantidade de policiais e o suporte que o estado oferece.
- Avaliar a resposta do governo aos ataques contra agentes de segurança.
- Investigar as políticas de assistência às famílias dos profissionais que morreram em serviço.
Diego Castro destaca que a morte de um policial vai muito além da perda de uma vida. Representa também um enfraquecimento da capacidade de ação do Estado.
"A ausência de respostas eficazes a esse fenômeno tende a gerar um ciclo de vulnerabilidade institucional, no qual o próprio Estado se torna alvo prioritário da criminalidade organizada", explica o deputado.
Ele defende a CPI como uma ferramenta fundamental de fiscalização e controle da Assembleia.
"Mostra-se plenamente justificada, necessária e proporcional a instauração da CPI da Crise da Segurança Pública e do Aumento das Mortes de Policiais na Bahia, como instrumento legítimo de defesa do interesse público", completou Diego Castro em seu documento.
Para que a CPI seja instalada, o pedido precisa de pelo menos 21 assinaturas de deputados na AL-BA, além de um parecer favorável da Procuradoria-Geral da Casa. Só então, essa importante investigação poderá começar.







