O Carnaval de Salvador, uma das maiores festas populares do mundo, está agora sob os holofotes de uma investigação política. O deputado estadual Leandro de Jesus, do PL, formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar se houve propaganda eleitoral antecipada para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e possível abuso de poder político durante os festejos.
A Notícia de Fato Eleitoral, como é chamada a denúncia, foi encaminhada ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco. O parlamentar pediu que o órgão abra um procedimento investigatório para verificar os episódios registrados nos dias 13 e 14 de fevereiro, quando diversos artistas e grupos musicais, em suas apresentações nos circuitos da folia, teriam manifestado apoio ao presidente.
BaianaSystem e o coro de campanha
Entre os casos que mais chamaram a atenção na denúncia está a performance do grupo BaianaSystem. Durante seu show, a banda teria entoado coros e jingles que são historicamente ligados às campanhas presidenciais de Lula. Segundo o deputado, essa manifestação ocorreu diante de um público gigantesco e foi transmitida ao vivo, ampliando seu alcance de forma significativa.
Thiago Aquino e o violino "Lula Lá"
Outro momento citado na denúncia aconteceu no palco do cantor Thiago Aquino, durante sua apresentação no Circuito Osmar (Campo Grande), em Salvador, na Bahia. O artista, do alto do trio elétrico, contou a história de um violinista de sua banda. Ele afirmou que o músico recebeu seu primeiro instrumento por meio de um programa federal. Logo depois, o violinista tocou a música "Lula Lá", um conhecido hino de campanha.
Publicidade“Lula, você faz parte da vida desse rapaz aqui. Você foi o cara que deu o primeiro violino dele e ele está aqui hoje tocando com a gente, está morando na Bahia”, disse o cantor Thiago Aquino na ocasião, reforçando a ligação.
A denúncia de Leandro de Jesus menciona também apresentações da cantora Alinne Rosa, que teria feito manifestações semelhantes. O deputado argumenta que, embora não tenha havido um pedido explícito de voto, a legislação eleitoral entende que o contexto e os elementos apresentados podem, sim, influenciar o eleitorado, caracterizando propaganda antecipada.
Abuso de poder político e dinheiro público
Um dos pontos cruciais levantados pelo deputado é o cenário em que as supostas manifestações ocorreram. O Carnaval de Salvador é um evento de proporções gigantescas, financiado com recursos públicos, e contou com a presença de autoridades. O presidente Lula, inclusive, esteve no circuito carnavalesco, acompanhado do governador Jerônimo Rodrigues, no camarote oficial do Governo do Estado.
A transmissão ao vivo pela TVE Bahia de todas essas apresentações também é um fator importante para o parlamentar, pois teria garantido que as mensagens chegassem a um número ainda maior de pessoas, supostamente utilizando a estrutura pública para fins eleitorais.
O que o deputado pede ao MPE?
No documento enviado ao Ministério Público Eleitoral, Leandro de Jesus fez uma série de solicitações:
- A instauração de um procedimento investigatório para apurar os fatos.
- A verificação de possível propaganda eleitoral antecipada.
- A análise de um eventual abuso de poder político e o uso indevido de estrutura pública.
- A requisição das transmissões completas da TVE Bahia dos dias 13 e 14 de fevereiro.
- O levantamento detalhado de todos os recursos públicos empregados no Carnaval de Salvador.
A expectativa é que o MPE analise as provas e decida sobre a abertura de um inquérito para investigar se as regras eleitorais foram ou não desrespeitadas na maior festa da capital baiana.







