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Política

Decisão do STF sobre penduricalhos derruba em 75% gastos com extras na folha dos desembargadores baianos

Dados do Portal da Transparência do TJ-BA mostram queda expressiva nas "vantagens eventuais" pagas aos magistrados após regras fixadas pelo Supremo em março deste ano.

Redação ChicoSabeTudo
25 de julho, 2026 · 00:09 3 min de leitura
Fachada do Tribunal de Justiça da Bahia, em Salvador
Fachada do Tribunal de Justiça da Bahia, em Salvador

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) tomada em março deste ano está produzindo efeitos concretos na folha de pagamento do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). De acordo com dados do Portal da Transparência da própria corte baiana, os gastos com o que se chama de "vantagens eventuais" — categoria que engloba os chamados penduricalhos — caíram cerca de 75% entre março e junho de 2026.

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A comparação foi feita com base nos relatórios de março, último mês antes de as novas regras entrarem em vigor, e de junho, três meses depois da decisão. O TJ-BA é o sexto maior tribunal de justiça do país e conta com 70 desembargadores em atividade, segundo informações divulgadas pelo próprio tribunal.

No dia 25 de março, o STF, por unanimidade, fixou tese em sessão plenária definindo quais verbas indenizatórias — os chamados "penduricalhos" — podem ou não integrar a remuneração de magistrados e membros do Ministério Público. Essas parcelas, embora classificadas como indenizatórias, vinham sendo utilizadas para permitir que agentes públicos ultrapassassem o teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

A nova regra estabeleceu que os penduricalhos, como gratificação por acúmulo de funções e bônus por tempo de carreira, podem continuar a ser pagos, mas dentro de um limite de 35% em relação ao valor do teto constitucional. Antes da decisão, não havia um critério nacional uniforme para o pagamento dessas verbas adicionais — cada tribunal aplicava interpretações próprias sobre quais benefícios poderiam ser pagos fora do teto ou acumulados.

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A magnitude do problema fica clara quando se olha para o histórico. Levantamento feito com base no portal da transparência do TJ-BA revelou que praticamente todos os desembargadores em atividade receberam mais de R$ 170 mil líquidos em dezembro de 2024 — a folha salarial daquele mês somou R$ 11,65 milhões, com média de R$ 173 mil por magistrado. O teto constitucional é de R$ 46,3 mil.

A nova sistemática entrou em vigor a partir da folha de pagamento de maio de 2026, com base no mês de referência de abril. A decisão foi classificada como estrutural, com acompanhamento pelo CNJ para sua implementação e para subsidiar futura legislação nacional sobre o tema. De acordo com a Corte, a limitação deve gerar economia anual de R$ 7,3 bilhões aos cofres públicos.

O quadro, no entanto, pode mudar parcialmente nos próximos meses. Todos os ministros concordaram em liberar o pagamento dos penduricalhos que tenham sido adquiridos até março de 2026, data da decisão da Corte que limitava o pagamento dos benefícios. Na prática, a medida autoriza converter em dinheiro penduricalhos como férias não gozadas, licenças-prêmio e plantões judiciais. O impacto dessa revisão, segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, deve aparecer na folha de julho ou agosto.

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As "vantagens eventuais" são apenas uma das categorias que compõem a folha dos desembargadores. Os relatórios do tribunal também discriminam a remuneração paradigma, vantagens pessoais, indenizações, gratificações e diárias. A queda de 75% nessa rubrica específica, portanto, representa um recorte do impacto total da decisão do STF sobre os gastos públicos com a magistratura baiana.

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