Uma nova proposta na Câmara de Salvador está dando o que falar: para participar de qualquer corrida de rua na cidade, talvez seja preciso apresentar um atestado médico do coração. A ideia, do vereador Randerson Leal (Podemos), dividiu opiniões e já gerou protesto.
O projeto de lei exige que todo corredor, seja profissional ou de fim de semana, tenha um laudo cardiológico válido por 12 meses. Sem esse papel, nada de corrida. A responsabilidade de conferir tudo ficaria com os organizadores do evento.
Segundo o vereador, o objetivo é nobre: garantir a segurança e proteger a vida dos participantes, evitando problemas de saúde durante as provas. A lei também obrigaria os eventos a terem ambulâncias e pontos de hidratação.
Mas quem organiza as corridas não gostou nada da história. A Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua (ABRACEO) foi rápida em se manifestar contra. Para eles, a medida é "bem intencionada", mas ultrapassada e prejudicial.
O principal argumento da associação é que a exigência cria uma barreira para a prática de esporte. Eles lembram que o que mais mata no Brasil é o sedentarismo, e dificultar uma atividade popular como a corrida só afasta as pessoas de uma vida mais saudável, principalmente quem tem menos dinheiro.
A ABRACEO destaca que conseguir uma consulta com especialista no sistema público de saúde não é fácil, o que tornaria o esporte menos acessível. Para a entidade, o cuidado com a saúde deve ser uma responsabilidade do próprio atleta, que precisa conhecer seus limites.
Enquanto o debate esquenta, o projeto de lei segue para análise em uma comissão da Câmara Municipal. Os organizadores já se colocaram à disposição para conversar com o vereador e buscar uma solução que não prejudique os corredores e o esporte na capital baiana.







