A principal briga sobre a nova lei para motoristas e entregadores de aplicativo é sobre dinheiro. O governo Lula quer garantir um valor mínimo de R$ 10 por corrida ou entrega, mais um adicional por quilômetro rodado. Já o deputado responsável pelo projeto na Câmara acha que isso pode acabar prejudicando os próprios trabalhadores.
A proposta do governo federal é clara: além do valor mínimo, quer proibir as chamadas entregas agrupadas, garantir acesso à Previdência Social e obrigar as empresas a criarem pontos de apoio para os trabalhadores. A ideia é dar mais segurança e um ganho mais justo para a categoria.
No entanto, o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho, jogou um balde de água fria na proposta. Ele afirmou que um valor mínimo para os motoristas não vai rolar, pois isso inviabilizaria cerca de 25% das corridas, que hoje custam menos de R$ 8. Segundo ele, essa parte já foi retirada da proposta.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, está com pressa e quer colocar o projeto em votação no plenário até o início de abril. Ele se reuniu com ministros para tentar acelerar as negociações e disse que vai ouvir todos os lados: parlamentares, trabalhadores e as empresas de aplicativo.
O ministro Guilherme Boulos avisou que o governo não vai abrir mão da remuneração mínima. Ele garantiu que, se o valor não estiver no texto final, o governo vai apresentar uma emenda para incluí-lo durante a votação. Boulos criticou as plataformas, afirmando que elas chegam a ficar com 50% do valor da corrida, o que considera injusto.
Com esse impasse, as próximas semanas serão decisivas. A regulamentação que pode mudar a vida de milhares de trabalhadores em Paulo Afonso e em todo o Brasil depende de um acordo em Brasília sobre o ponto mais sensível: quanto vale o trabalho de quem roda o dia todo no trânsito.







